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Agricultura

Crise do Leite II

21 de setembro de 2017 às 15h38

Começo a coluna desta semana dando uma sequência ao assunto final destacado na semana passada. O leitor certamente lembra da rápida abordagem feita sobre a crise do setor do leite e da audiência que representantes de vários segmentos tiveram em Brasília, com autoridades do governo federal, na terça-feira anterior.

Sobre os contatos em Brasília, nenhuma novidade até este momento. Este descaso do governo é uma atitude normal, considerando que há vários interesses em jogo, como é o caso de tratados comerciais com os países de Mercosul, onde as trocas de favores ou de compromissos são fatos de rotina.

Mas enquanto se podia imaginar que ocorresse uma certa trégua, até que Brasília se posicionasse, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, Fetag-RS, juntamente com os Sindicatos de Trabalhadores Rurais, de forma silenciosa, estratégica, articularam uma mobilização, ainda na quinta-feira, 14, ocupando por três horas, a ponte que liga o Brasil ao Uruguai, na cidade de Jaguarão.

Apesar da chuva, os agricultores familiares, produtores de leite, conseguiram chamar a atenção da opinião pública sobre a gravidade do problema, especialmente da importação, desnecessária de leite do Uruguai.

Segundo a Fetag, na ponte interrompida, Barão de Mauá, durante o ano de 2016, passaram 1,03 bilhão de litros de leite, concorrendo com a produção nacional, principalmente com os produtores do Rio Grande do Sul, fazendo com que muitos pequenos agricultores desistissem da atividade, por falta de motivação e de perspectivas de lucratividade, diante da constatação de que o custo de produção leva eventuais lucros ficarem cada vez mais achatados.

Na mobilização da semana passada, os produtores de leite reafirmaram o conjunto de reivindicações, resumidas em sete pontos principais, a saber: imediata revisão dos incentivos fiscais para a importação; revogação dos decretos do governo do Estado que concedem incentivos ao produto importado; criação de cotas de importação de lácteos do Uruguai sem a liberação automática; compras governamentais de lácteos; criação de um programa de controle de estoques; políticas de incentivos e fomento para a cadeia produtiva do leite e revisão dos preços mínimos do leite.

Convém salientar que a insistência em bater de frente com o Uruguai é pelo fato de aquele país servir de ponte ou de intermediação entre outros países produtores, inclusive europeus, que utilizam esta via para fazer chegar o seu produto ao Brasil. Pois a quantidade de leite importada da vizinha nação, se equipara praticamente ao volume que a mesma produz, o que se torna um fato irreal.

Nesse “conflito” criado surge como fato novo a manifestação da Argentina. O seu governo afirma que levará adiante o debate sobre o tratamento diferenciado que o Brasil lhe dispensa. Pois enquanto para a Argentina há o estabelecimento de uma cota, ou um limite para a importação de leite, para o Uruguai não há cota e os volumes são liberados. Essa insatisfação dos argentinos vem em um momento interessante, fazendo com que o assunto seja debatido no âmbito dos países que integram o Bloco do Mercosul.

Milho Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento está colocando um lote de milho para criadores que queiram habilitar-se à compra. O limite é de até 14 mil quilos por produtor e o custo é de R$ 25,80 o saco de 60 quilos. O procedimento de credenciamento já é conhecido por quem costuma participar do programa.

O que chama, de fato, atenção é o preço do produto, que no ano passado nesta época estava pelo menos o dobro do valor agora fixado. Bom para o consumidor mas de insegurança para o produtor.

Por daiane