Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 18 de Junho de 2019

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Educação

Seminário de Educação aborda os desafios da escola contemporânea

, 21 de julho de 2017 às 10h58

As atividades de formação continuada que o município de Arroio do Meio está proporcionando a professores da rede municipal e estadual e educadoras da educação infantil terão seguimento hoje. A programação iniciou ontem com o Seminário de Educação realizado no auditório do Colégio Bom Jesus, envolvendo mais de 200 professores da rede municipal e estadual. A formação para professores continua hoje com atividades enfocadas na nova base comum curricular, com diversos grupos de estudos. O seminário tem como tema Escola, Família e Comunidade: Conectando Saberes, Valores e Atitudes.

Paralelamente, também se realiza hoje o XIII Simpósio Municipal da Educação Infantil, voltado para as 130 educadoras das oito Escolas Comunitárias de Educação Infantil (Eceis). Também haverá formação continuada para as profissionais responsáveis pelo preparo da alimentação escolar.

Desafios da escola contemporânea

O jornalista, teólogo, filósofo e professor Cláudio Schubert fez a palestra de abertura do Seminário de Educação, ontem pela manhã. Sob o enfoque ‘Os desafios da Escola Contemporânea’ o professor discorreu acerca das mudanças de paradigmas na sociedade e também na educação. À tarde houve apresentação do Fórum Municipal de Educação com o painel: “Diálogos Contemporâneos na Comunidade Escolar” – com Fabiane Olegário, Alice Kramer Iorra Schmidt e Graziela Ely.

Em entrevista ao AT, o palestrante Cláudio Schubert, diz que os desafios da escola contemporânea são inúmeros, especialmente para os professores. Contextualiza o cenário, afirmando que atualmente se vive um momento de quebra de paradigmas. Até a geração passada o professor ensinava e o aluno escutava, tendo-se atitudes de comportamento claramente colocadas. Na sociedade o certo era certo e o errado era errado. Mas, com o advento da televisão e posteriormente outras tecnologias houve mudanças, perderam-se as fronteiras e os limites, assim como os conceitos de certo e errado acabaram se diluindo.

Paralelamente, com a perda dos limites as pessoas acabaram se perdendo e passam a estar num contexto diferente, no qual tudo pode. Neste novo paradigma, ainda em construção, a escola tem um grande desafio porque os professores e a própria instituição têm de dar conta dessa nova realidade, que tem como principal aspecto a construção de novas relações. E essa construção, no seu entender, passa obrigatoriamente pelo diálogo, pela conversa, especialmente com quem pensa diferente.

Schubert avalia que a função da escola hoje é diferente e que os governos não investem o que seria o ideal na educação nem na formação de professores. Com isso os professores não têm condições para dar conta de perguntas, de questões novas que surgem na sala de aula e que ele não aprendeu durante sua formação.

Apesar de todas as mudanças em curso, o professor vê a situação com otimismo. Diz que hoje se vive uma crise de paradigmas, de ter de aprender a conviver com ideias, conceitos, atitudes comportamentais diferentes. Da mesma forma que se está aprendendo a conviver com a tecnologia e isto tem sido um grande desafio para escolas e professores, já que ninguém sabe exatamente como incorporá-la no ensino.

Vê esta infinidade de mudanças como algo positivo e cita que algumas atitudes comportamentais, a exemplo da violência contra crianças e mulheres, não são mais aceitas justamente em função dessa quebra de paradigmas. Por isso defende que é preciso olhar para as mudanças de uma forma mais ampla. Se a geração atual é a geração da crise, do conflito, de buscar concretizar conceitos importantes, e é preciso ter em vista a construção de uma sociedade mais igualitária, que garanta os mesmos acessos, proteção da lei, direitos e deveres.

No que tange à sala de aula, Schubert salienta que, ao analisar a relação que se forma dentro da sala de aula é preciso ter a consciência de que o professor foi formado dentro de um paradigma que não existe mais. Aliado a isso, se tem uma geração de pais que falha na responsabilidade educacional dos filhos, deixando a situação um pouco mais complexa. Por isso, avalia que é preciso tirar toda a carga que professores e escola têm na educação e responsabilizar mais os pais na gestão educacional dos seus filhos. O que não é simples.

Para o filósofo, das coisas que ainda se precisa aprender é a ansiedade da sociedade. “Queremos respostas imediatas, mas a sociedade não tem”, afirma, salientando que novos paradigmas estão em construção, que é um processo no qual todos são construtores.

Por daiane