Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 18 de Setembro de 2019

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Economia

Preço da cesta básica mais cara do país reflete na região

, 14 de julho de 2017 às 9h42

O custo da cesta básica em junho diminuiu em 23 capitais brasileiras e aumentou em quatro, aponta Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Mesmo registrando queda de 3,35% no ano, Porto Alegre foi a cidade com a cesta mais cara (R$ 443,66), seguida por São Paulo (R$ 441,61), Florianópolis (R$ 432,40) e Rio de Janeiro (R$ 420,35). O valor da cesta básica calculado na capital gaúcha se reflete também no Vale do Taquari em razão da proximidade entre as duas regiões.

Avaliação mensal

Em junho de 2017, a cesta básica de Porto Alegre calculada pelo Dieese registrou queda de 3,69% passando de R$ 460,65 em maio de 2017 para os atuais R$ 443,66. No ano, a cesta registra queda de 3,35%. Em 12 meses, retração de 4,60%.

Na avaliação mensal, dos 13 produtos que compõem o conjunto de gêneros alimentícios essenciais previstos, seis caíram de preço: o tomate (-19,49%), a banana (-8,97%), a batata (-2,53%), a farinha de trigo (-2,27%), o arroz (-1,80%) e a carne (-1,07%). Em sentido inverso, seis itens ficaram mais caros: o feijão (1,64%), a manteiga (0,75%), o café (0,53%), o açúcar (0,36%), o óleo de soja (0,30%) e o pão (0,12%). O leite foi o único item a não sofrer alteração de preço em junho (0,00%).

Avaliação em 12 meses

Na avaliação realizada em 12 meses, sete produtos ficaram mais baratos: a batata (-53,47%), o tomate (- 14,72%), o leite (-13,41%), a farinha (-10,03%), o óleo de soja (-4,31%), o açúcar (-3,17%) e o feijão (-2,93%). Seis itens subiram de preço: a manteiga (23,54%), o café (19,28%), a banana (7,31%), o pão (1,91%), o arroz (1,11%) e a carne (0,43%).

Cesta básica x salário mínimo

Em junho de 2017, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 90 horas e 43 minutos, menor que o de maio, quando ficou em 92 horas e 43 minutos. Em junho de 2016, o tempo era de 101 horas e 09 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em junho, 44,83% do salário mínimo para adquirir os mesmos produtos que, em maio, demandavam 45,81%. Em junho de 2016, o percentual foi de 49,98%.

Reflexos da capital

O gerente de um supermercado localizado no Centro de Arroio do Meio, Alexandre dos Santos, revela que o valor da cesta básica da Capital, divulgada nos últimos dias pelo Dieese, se reflete nos mercados da rede que trabalha. Cita como exemplo a carne, que teve redução significativa na comparação maio a junho, com o preço oscilando desde o início do ano. Alexandre também cita o tomate cujo custo teve redução considerável no último mês e vem caindo nos últimos meses. Lembra do feijão e a farinha que tiveram queda ao longo de 2017, mas devem ficar mais caros nos próximos meses. “A carne é reflexo da ração e o farelo, insumos utilizados para tratar os animais e que tiveram queda de preço nos últimos meses. Por isso a carne teve redução no preço”, revela.

O sócio-proprietário de um supermercado localizado em São Caetano, Ismael Jung, confirma que alguns alimentos da cesta básica vêm oscilando nos últimos 12 meses a exemplo do tomate que teve queda no preço. Cita ainda a batata e o leite, alimentos que tiveram redução significativa no preço nos últimos meses e que devem continuar caindo. A exemplo da cesta básica da capital, o feijão teve elevação no preço também em Arroio do Meio e, segundo Ismael, a tendência é continuar subindo. “O valor da cesta básica deve cair ainda mais, pois o preço de alguns produtos tende a cair. O cenário político no qual se encontra o país é a razão pela queda e oscilação nos preços da cesta básica”, revela.

Promoção é a alternativa

De dois meses para cá, a aposentada Ildegard Scherer, do bairro São José, percebeu a queda nos preços de alguns alimentos, como o tomate e a batata que estão mais em conta. No entanto, percebeu que alguns produtos estão mais caros e, para economizar, procura os alimentos que estão em promoção em determinados dias da semana. “O salário é pouco. Por isso, procuro comprar mais com menos dinheiro”, aponta.

A mesma estratégia é utilizada pela professora Solange Henz, do bairro Bela Vista. Para economizar, vai ao mercado em dias que os alimentos necessários estão em promoção. Para comprar mais por menos percorre mercados da cidade vizinha de Lajeado que realizam promoções com mais frequência. “A cebola está cara, não acho que o preço caiu, a maioria das coisas subiram. Principalmente em Arroio do Meio, local onde os produtos são mais caros. Por isso, procuro promoções nas quais economizo um bom dinheiro”, revela.

Para a dona de casa Zenaide Silva, do bairro Bela Vista, os preços dos alimentos vêm oscilando nos últimos meses e não acredita em redução significativa no preço da cesta básica. “Fruta e verdura compro na quarta, dia que esses alimentos estão em promoção”, fala.

Por daiane