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Mercosul tem rendido melhores negócios do que os Estados Unidos

, 19 de março de 2017 às 10h00

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) indicam que 20,53 milhões de pares foram embarcados no primeiro bimestre de 2017. Os pedidos geraram 162,9 milhões de dólares, com volume 3,5% menor e receita 10,8% maior no comparativo com igual período do ano passado. Embora o resultado seja positivo, os registros demonstram uma desaceleração das exportações que haviam crescido mais de 17% em janeiro, mas em fevereiro apenas 5%. A forte desvalorização do dólar, passando de R$ 3,40 para R$ 3,15 tem impactado na formação de preços. Além disso, há ressalvas quanto à política de relações internacionais influenciada pelas atitudes do polêmico presidente norte-americano, Donald Trump, ameaças de protecionismo e a possibilidade de aumento dos juros básicos dos Estados Unidos.

Por isso as projeções não são positivas para as exportações ao longo do ano. Se em 2016, com a contração do mercado interno, as exportações indicavam uma espécie de porto seguro da atividade, em 2017 a gangorra se inverteu.

Principal destino do calçado brasileiro desde os primeiros embarques, na década de 1970, os EUA diminuíram suas importações. Nos dois primeiros meses do ano, os norte-americanos compraram 2,24 milhões de pares por 33 milhões de dólares, resultados inferiores tanto em pares (-13,5%) quanto em valores (-1,4%) no comparativo com igual período de 2016.

Por outro lado, países do Mercosul se tornaram mais interessantes para negociar, tornando-se o segundo destino no ranking das exportações. A Argentina, por exemplo, importou 928,5 mil pares que geraram 15,74 milhões de dólares, números superiores em volume (28,1%) e em dólares (64,6%) no comparativo com o primeiro bimestre de 2016. O terceiro principal destino do calçado brasileiro no período foi a França, que assim como os EUA importou menos em volume e valores.

O Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. No período, os gaúchos embarcaram 4,3 milhões de pares, que geraram 72,36 milhões de dólares, registros superiores tanto em pares (19,2%) quanto em receita (18%) no comparativo com igual período de 2016. Ceará e São Paulo aparecem em 2º e 3º colocados respectivamente, ambos tiveram resultados negativos em volume e valor exportados em comparação com 2016.

Na microrregião há apenas duas empresas exportadoras. A Beira Rio, com unidades em Roca Sales e Santa Clara do Sul, e a Júlia Calçados que tem sede em Arroio do Meio e filial em Capitão. Além disso, há filiais de companhias de outras regiões e ateliers que prestam serviços terceirizados a exportadores.

O empresário Paulo Weizenmann, diretor da Júlia Calçados, explica que a redução de pedidos no mercado interno, fez em torno de 30% das empresas antes voltadas ao mercado doméstico, direcionarem vendas para o exterior, prejudicando negócios que estavam consolidados. A medida teria sido uma alternativa para não haver demissões no setor e evitar ônus trabalhistas. A margem de lucro diminuiu e o dólar abaixo de R$ 3,50 dificulta a competitividade com outros países. “A valorização do dólar está muito aquém da inflação dos últimos anos”, avalia.

Para Weizemann, os EUA de Trump são uma incógnita. Impasses e restrições aos produtos chineses e mexicanos podem ser benéficos para os brasileiros. Paralelamente, negócios firmados com países latinos têm sido importantes. “A proximidade e a valorização da moeda deles torna o Brasil interessante”, complementa. Contudo aponta a eficiência em gestão e produtividade como cruciais na era atual do calçado. “Se fosse fácil não haveria tanto desemprego no Vale dos Sinos”, dimensiona.

A maior parte da exportação da Júlia Calçados atendo o Chile, seguido dos EUA e Argentina, com destaque para contratos com grifes de botas femininas de couro.

No mercado interno, a saída das fábricas para atrair consumidores tem sido a diminuição do custo de produção com o uso de material sintético nos calçados.

Em Arroio do Meio, Capitão e Travesseiro, são 11 empresas entre fábricas e ateliers direcionados ao calçado, que empregam em torno de 1,2 mil pessoas. O setor voltou a ser interessante para os trabalhadores, em decorrência da desaceleração da construção civil e outras apostas.

Exportações têm maior alta desde 2011

Ao somarem 934 milhões de dólares em fevereiro, as exportações do Rio Grande do Sul registraram um crescimento de 8,7% na comparação com o mesmo período de 2016. O grupo das commodities aumentou 17,4% (totalizando 81 milhões de dólares). Se, por um lado, a soja caiu 2%, o trigo subiu 111,8%. Já o setor industrial embarcou 846 milhões de dólares – 90,6% do total exportado –, um incremento de 8,3%, o maior já registrado desde 2011 no mês, quando alcançou 21,3%. A demanda da Argentina mostra sinais mais consistentes de retomada, mas a taxa de câmbio segue como um desafio para o setor.

Das 23 categorias que registraram alguma operação de exportação em fevereiro, apenas sete caíram. Os três maiores segmentos são: Veículos automotores, reboques e carrocerias (64%), Químicos (38,7%) – direcionados à Argentina), e Alimentos (21,5%) – para a Venezuela e de carne de suíno para a Rússia. O déficit fica com o tabaco (-35,0%) e celulose e papel (-38,9%).

Em relação às importações totais, em fevereiro elas alcançaram 733 milhões de dólares, praticamente estáveis (0,2%) na comparação com o mesmo período do ano passado. Na separação por categoria de uso, Bens intermediários (15,4%) e de consumo (39,3%) puxaram o resultado para cima, mas as compras no exterior de combustíveis e lubrificantes caíram 47%.

BIMESTRE

No acumulado do bimestre, as vendas externas do Rio Grande do Sul somaram US$ 2 bilhões, uma alta de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A indústria, que cresceu 14,5% no período, exportou 1,75 bilhão de dólares.

Por daiane