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Especialista diz que é preciso projetar a aposentadoria ainda na juventude

, 3 de fevereiro de 2017 às 8h49

Arroio do Meio – A proposta de mudanças no atual modelo de aposentadoria tem causado muita apreensão nos trabalhadores brasileiros. A elevação da idade mínima para 65 anos é um dos pontos mais polêmicos, já que hoje é possível se aposentar antes disso em diversas situações.

O debate acerca do tema mostra a importância do trabalhador programar o momento em que vai deixar a atividade. Ao contrário do que se pensa na juventude, a aposentadoria deve ser projetada desde a entrada no mercado de trabalho. O professor de Finanças da Univates e consultor e assessor de finanças pessoais e empresariais na Caführ, Ilocir José Führ, afirma que o projeto de aposentadoria deve ser iniciado ontem, se fosse possível. “Mas como o tempo não volta, o jeito é começar a projetar a aposentadoria hoje. E, se hoje ainda não for possível, que seja amanhã ou o quanto antes”, recomenda.

Para o professor é sempre importante lembrar que uma grande caminhada começa com o primeiro passo e a maior das torres começa no chão. “Dar o primeiro passo ou construir uma torre depende da atitude, ou seja, é uma iniciativa (de dentro para fora da pessoa). É uma questão de comportamento. Neste sentido, tempo e dinheiro sempre devem ser analisados conjuntamente. Quanto mais tenho de um, menos preciso do outro. Por exemplo: se preciso juntar R$ 1.000,00 e tenho 10 meses, basta poupar R$ 100,00 por mês. Já se possuo apenas cinco meses, terei que economizar R$ 200,00 a cada mês e assim por diante”.

Outro exemplo é em relação ao tempo: “se preciso de 30 minutos para caminhar até o Centro e tenho um compromisso para daqui cinco minutos, terei que contratar o serviço de transporte (táxi, ônibus, etc), o que vai me custar saída de dinheiro do bolso. Já se eu tivesse começado a caminhar 30 minutos antes, estaria no local no tempo adequado e sem custo financeiro, além de ter cuidado da saúde. Quanto antes começo, mais suave fica. O melhor amigo que posso ter no futuro é o meu comportamento no presente”, observa.

Para o profissional é preciso planejar, ver com antecedência e estar pronto para as oportunidades. Projetar a aposentadoria é, no presente, começar a pagar e garantir o futuro. “A melhor forma de prever o futuro é criá-lo. Com planejamento, aumenta-se o controle sobre o futuro; sem planejamento, aumentam os imprevistos, os sustos e as pessoas tendem a enfrentar problemas de saúde e financeiros”.

Várias possibilidades

Existem diferentes formas de se projetar a aposentadoria. Além da contribuição à Previdência Social oficial (governo), pode-se investir em Previdência Privada, que são fundos de investimento. Esses fundos podem ser em renda fixa (mais conservador e de riscos menores) e em renda variável (mais arrojados e com maiores riscos). Mas são indicados para médio e, especialmente, longos prazos. “Não se pode querer retorno no curto prazo. Para quem tem pressa é preferível deixar o dinheiro na caderneta de poupança, mas depositar certo valor a cada mês. Ter disciplina, atitude”, explica.

Em termos financeiros, a vantagem da Previdência Privada em relação à Previdência Oficial é um retorno maior. Porém, Ilocir diz que é aconselhável monitorar a rentabilidade e, se for o caso, transferir para outro banco, no qual as taxas de administração e de carregamento sejam mais atraentes. Às vezes essas taxas acabam corroendo a rentabilidade do fundo.

Em termos de segurança, a Previdência Social oficial garante maiores benefícios, como salário-maternidade, aposentadoria por invalidez, auxílio-doença, etc. Por isso, todas as pessoas que exercem atividade remunerada (carteira assinada, etc) precisam contribuir para a Previdência Social. Não apenas para depois receber o conhecido salário da aposentadoria, mas também para ter garantidos os benefícios.

“Não se deve pensar uma ou outra; melhor pensar uma e a outra, ou seja, contribuir para as duas (Previdência Social e Privada). Isso vai aumentar a segurança e a garantia de uma aposentadoria melhor”, alerta Führ.

Outra dica importante é não destinar todas as economias para um mesmo tipo de investimento, pois isso aumenta o risco e as chances de se ter problemas no futuro. “O aconselhável é sempre fazer sobrar, isto é, gerar uma economia e ir aplicando em diferentes investimentos. Inicialmente, quando o valor salvo do consumo ainda é baixo, pode-se deixar aplicado na caderneta de poupança. Sabe-se que a rentabilidade é baixa, tendo inclusive perdido para a inflação em 2015. Porém, com o tempo, o volume vai aumentando, tal qual o crescer da grama e dos cabelos. Não é preciso poupar muito, mas é necessário poupar sempre. O resultado aparece com o tempo”, reforça.

Com o tempo, o dinheiro poupado pode ser investido em Letra de Crédito de Imóveis (LCI’s) e Letra de Crédito de Agronegócio (LCA’s), que são as chamadas “poupanças da classe média e alta”. A rentabilidade das LCI’s e LCA’s são maiores que da caderneta de poupança e, no caso de pessoa física, são isentas de Imposto de Renda.

Com o aumento do patrimônio (investimentos e seus rendimentos), pode-se distribuir parte dos recursos em imóveis (terrenos, para aguardar a valorização econômica, ou apartamentos, buscando além da valorização econômica, também a geração financeira de caixa mensal com ganhos do aluguel). “Todo esse patrimônio estará gerando receitas. Ou seja, com o tempo a pessoa que poupar, economizar perceberá que o dinheiro estará gerando mais dinheiro, ou seja, o dinheiro estará trabalhando com a pessoa que o poupou”.

O hábito de economizar desde cedo é importante, pois antecipa os benefícios desta economia. “Quando jovem ou adulto, o ser humano tem mais energia, saúde para trabalhar e gerar riqueza. Do contrário, se esperar muito, ficará bem mais difícil garantir qualidade de vida não tendo mais a mesma energia e quem sabe já estando com a saúde debilitada”, salienta o consultor.

Por daiane