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Saúde

Intensidade e tratamento em lesões causadas por queimaduras

, 27 de janeiro de 2017 às 13h41

A queimadura de pele ocorre mais frequentemente como consequência do calor, mas também pode ser provocada pelo frio, pela eletricidade, por certos produtos químicos e por radiações. Ela está entre os acidentes domésticos mais comuns e caracteriza-se por lesões nos tecidos que envolvem diversas partes do corpo, como a pele e suas camadas, além de cabelos, pelos, músculos e olhos, entre outras estruturas.

Queimaduras podem ser causadas pelo contato direto com fogo, líquidos ou vapores quentes, objetos muito aquecidos ou incandescentes ou substâncias biológicas (a exemplo das lagartas-de-fogo, caravelas e águas-vivas); substâncias químicas (ácidos, soda cáustica e outros); eletricidade e emanações radioativas (raios infravermelho, ultravioleta, radiação eletromagnética, laser).

A pele é o maior órgão do corpo humano e sua função principal é regular a temperatura, servir de proteção para os tecidos subjacentes, reservar nutrientes e limitar espacialmente as nossas terminações nervosas. Se as queimaduras podem ter origens diversas – térmica, química, radioativa, elétrica – é fundamental diferenciar os tipos de queimadura para que os primeiros socorros sejam realizados corretamente. Antes de tratar, é preciso identificar a causa da lesão para evitar complicações, como infecções.

A pele é dividida em camadas com características e profundidades distintas. A epiderme, mais externa, tem profundidade variada, a depender da parte do corpo que observamos, e é na sua parte mais profunda que é produzida a proteína que lhe dá impermeabilidade e resistência, conhecida como queratina. A segunda camada, formada por um tecido que sustenta a epiderme, constituído por colágeno, proteínas e elastina, é a derme.

Como reveste todo o nosso corpo, sendo sua parte mais externa, a pele está exposta a uma série de situações que podem alterar suas características originais. A exposição excessiva à luz solar, sem o devido uso de fotoprotetores, é fator determinante de queimaduras e do envelhecimento do tecido.

Dor e sequelas

O grau e a extensão da dor que um paciente suporta desde a lesão até a duração do seu tratamento dependem de fatores como a extensão e a localização da queimadura, do seu estado emocional, do nível de ansiedade e do nível de tolerância à dor do indivíduo. Aparentemente, os procedimentos de banho e curativo se tornam os momentos cruciais da terapia pós-trauma. Normalmente, o banho e o curativo são realizados diariamente no período da manhã, podendo ser banho de chuveiro, de turbilhão ou de leito. Antes do banho, a depender da gravidade, podem ser administrados medicamentos para alívio da dor, que devem ser prescritos pelo médico e administradas, se necessário.

Os recentes avanços da medicina contribuíram para que, hoje em dia, a chance de sobrevivência de um paciente com até 80% do corpo queimado seja de 50%, segundo algumas pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo (USP). É preciso destacar, no entanto, que, apesar de sobreviverem, muitos dos pacientes conviverão pelo resto de suas vidas com sequelas e variados danos físicos, que podem comprometer habilidades e capacidade funcional desses indivíduos na realização de tarefas. Além das consequências físicas, as queimaduras podem provocar, sequelas emocionais, como sentimentos de depressão e outros relacionados à imagem corporal.

Tratamento e gravidade da lesão

Queimadura de 1º grau: é o grau mais leve, que representa, inclusive, a queimadura solar. A queimadura de 1º grau atinge a camada mais superficial da pele, a epiderme, causando uma lesão avermelhada, aquecida e dolorosa. A queimadura solar é um exemplo. Lavar a área afetada, em água corrente fria ou gelada, e podem-se fazer compressas frias nas primeiras horas após a lesão. Nunca se deve colocar pasta de dente, nem manteiga, um erro bastante comum. Pode-se tomar analgésico, a depender da intensidade da dor.

Queimadura de 2º grau superficial: a queimadura de 2º grau superficial provoca o aparecimento de bolhas e uma dor intensa, além de poder causar repercussões sistêmicas e causar cicatrizes. A necessidade de drenar a bolha é decisão do médico. Não se deve retirar a pele que recobre a bolha, pois ajuda a proteger a lesão de infecções e age como curativo biológico natural.

Queimadura de 2º grau profunda e 3º grau: parece improvável, mas a queimadura de 3º grau pode ser indolor, embora acometa todas as camadas da pele, com risco de atingir até os ossos. A de 2º grau profunda tem a base das bolhas branca e seca. Nos dois casos, necessita-se de internação hospitalar, pois as queimaduras provocam desequilíbrio nos níveis de sódio, potássio ou cálcio, além de desidratação. O médico precisará fazer uma limpeza dos tecidos necrosados e o paciente vacinado contra o tétano. Devido à perda de pele e estruturas, enxertos podem ser necessários.

Por daiane