Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 18 de Setembro de 2020

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Diarista, profissional cada vez mais difícil de se encontrar

, 26 de novembro de 2016 às 12h30

Arroio do Meio – A procura por serviços das trabalhadoras domésticas é cada vez maior. Nem mesmo a crise financeira afetou o setor que cresce a cada dia que passa. O valor cobrado varia de profissional para profissional: por faxina ou hora trabalhada. Existem ainda aquelas que preferem trabalhar como mensalista. Nesse caso a profissional tem direito a uma série de benefícios como 13º salário, férias e INSS.

Algumas profissionais garantem esses benefícios trabalhando meio turno com carteira assinada e o restante do dia como diarista, o que financeiramente é mais vantajoso, uma vez que o trabalho por hora é mais valorizado. Nessa modalidade o valor cobrado por hora pode chegar a R$ 20.

Confiança, a alma do negócio

A aposentada Helena Kamphorst trabalha há 23 anos como faxineira. Com a renda extra da aposentadoria se dá ao luxo de trabalhar apenas três dias por semana em dois estabelecimentos comerciais. A idade avançada, 58 anos, e duas cirurgias, a fez dar preferência à saúde. Revela que são inúmeros os convites para ocupar o tempo vago, porém prefere atender os compromissos que possui e realizar um bom trabalho ao se responsabilizar por tarefas que não poderá atender com qualidade.

Considera a confiança como requisito fundamental para aquela profissional que quer seguir na carreira. “Trabalhei por 18 anos fazendo faxina em um consultório dentário aqui no Centro. Após o profissional se aposentar, continuei trabalhando para os filhos que também são dentistas”, revela.

Helena diz que a falta de profissionais no mercado se deve à acomodação das gerações jovens que preferem trabalhar no comércio ou empresas com serviços mais leves. “Não se vê mulheres jovens trabalhando como faxineira. Ninguém quer mais trabalhar no pesado. Daqui a alguns anos a carência dessa profissional será ainda maior. Os preços serão cada vez mais caros. Eu ainda continuo cobrando apenas R$ 15”, afirma.

“Nossa filha adotiva”

A convivência harmoniosa e o tempo fizeram de Iria Schmitz uma pessoa da família. A relação baseada na confiança foi estabelecida em 30 anos de dedicação ao casal de aposentados Ornila e Érico Essig. A boa relação do casal com a diarista é percebida quando sentam na sala de estar da casa para conversar. Nem mesmo a aposentadoria e a idade, 60 anos, a fazem parar. O principal motivo é o ambiente favorável e afetuoso encontrado nas casas onde trabalha o que não é diferente na residência dos Essig. “Ela é nossa filha adotiva”, brinca o casal que é interrompido por Iria, “e eles são meus pais”, complementa.

A boa relação do casal com Iria não se restringe apenas ao local de trabalho. Ela conta que enfrentou muitas dificuldades ao longo da vida lembrando de uma em especial, quando em 2001, no bairro Navegantes, teve sua casa levada pela enchente. “Me ajudaram muito nessa época. Cheguei a ficar um tempo aqui. Venho todos os dias, mesmo quando vão para a praia e ficam por um longo período fora”, observa.

Trabalhando como mensalista, revela que realiza todos os afazeres da casa sem restrição, ao contrário de muitas diaristas que não fazem higienização de vidros, entre outros afazeres. “Limpo o chão, preparo os alimentos e realizo todos os afazeres da casa”, revela.

Boca a boca como propaganda

Com 54 anos de idade, Iraida Locatelli trabalha há mais de 20 anos como diarista. Iniciou na profissão por falta de opção, após ser demitida do escritório da antiga Incomex empresa de calçados. “Precisava pagar as contas e tinha uma filha para criar. Então tive que ir à luta”, revela.

Considera o registro em carteira importante. Por isso, trabalha meio turno em uma loja do Centro com registro em carteira e o restante do dia faz faxinas cobrando R$ 15 a hora. “Dessa forma estou segurada e tenho alguns benefícios, como 13° salário, férias e INSS. Por isso, prefiro essa modalidade”, conta.

Considera o boca a boca como a melhor propaganda. Por isso, a importância de realizar um bom trabalho. “Muitas pessoas me procuram para trabalhar, mas não tenho tempo disponível. Tenho muito serviço”, comenta.

Lajeado

Na cidade vizinha de Lajeado as profissionais preferem cobrar por faxina. O valor varia entre R$ 70 e R$ 90, por manhã ou tarde trabalhada. Porém algumas profissionais cobram ainda mais, R$100.

Por daiane