Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 09 de Dezembro de 2019

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Jornal da Semana
Agricultura

Milho da Conab (Governo)

28 de outubro de 2016 às 6h00

Os estimados leitores lembram que há cerca de meio ano, um dos assuntos mais em evidência no setor da produção agropecuária era a falta ou escassez de milho destinado à alimentação dos rebanhos suínos, frangos e gado leiteiro. Noticiava-se e comentava-se com muita ênfase o empenho das indústrias de ração, especialmente das cooperativas e das empresas integradoras para o suprimento da demanda, ocorrendo inclusive uma espécie de racionamento ou diminuição no ritmo de produção. A importação do produto era vista como forma de minimizar o problema e até para frear a tendência de alta do milho no mercado interno.

É possível que a colheita da safrinha no primeiro semestre e a diminuição da ganância de alguns especuladores tenha contribuído para uma maior oferta do cereal, porém o seu preço continua elevado e um tanto fora da realidade do setor produtivo.

Não bastasse esse cenário de dificuldades que para muitos podia ser atribuído ao grande volume de milho exportado, em negociações oportunas e interessantes, surge agora uma história, que tem a marca do descontrole, da astúcia, senão do espírito fraudulento que domina muita gente por aí.

Tenho uma informação de que está vindo para a região, milho da Conab, oriundo de depósitos localizados no Mato Grosso, da safra 2012 – 2013, portanto, com mais de três anos, com qualidade bastante comprometida e as condições de consumo muito precárias.

Uma carga de cerca de 50 mil quilos veio de fora acompanhada da nota fiscal, indicando um custo de R$ 8.000,00. O frete foi de R$ 6.000,00. Consequentemente o milho veio cotado abaixo de vinte reais o saco de 60 quilos, mas o produtor “beneficiado” paga não menos de 40 reais pelo saco quando se habilita a comprar esse milho “subsidiado”.

Diante deste fato, meio escandaloso, devemos perguntar: para quem fica a parte entre o preço de custo para trazer o milho e o valor de seu repasse para os produtores? E os produtores que adquirem o produto conseguem conferir a sua qualidade, antes de tê-lo em sua propriedade? Os órgãos governamentais, responsáveis pela compra do cereal nas regiões de produção, não conseguem verificar o ano ou a safra correspondentes? Não deveria o governo ter um controle mínimo sobre os estoques de grãos que existem no país?

Fragilidade e vulnerabilidade são termos que caracterizam esta lamentável situação. O produtor é lesado, independentemente se compra o milho “ofertado pela Conab” ou se adquire ração. As cadeias produtivas são prejudicadas, os consumidores pagam um preço alto pela irresponsabilidade de quem age de forma criminosa, que vem sendo uma prática tão difundida nos últimos tempos pelo país afora.

Fica, portanto, um alerta para os produtores que dependem da compra de milho subsidiado. Verifiquem a qualidade do produto. Ajudem a denunciar quando se depararem com uma situação como esta relatada. O silêncio contribui para que as falcatruas continuem acontecendo de maneira impune.

Por daiane