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Comportamento

Gaúcho macho: Buscar ajuda não é sinônimo de fraqueza

, 8 de julho de 2016 às 10h13

Muito se fala atualmente sobre o suicídio, principalmente aqueles que ocorrem em cidades do interior. Pesquisas recentes realizadas no Vale do Taquari apontam dados sobre o alto índice de mortes por suicídio em homens, de meia idade, moradores do interior, geralmente devido a perdas financeiras ou traição. Esse fato é curioso, e faz com que pesquisadores da área se mostrem interessados em fornecer suporte a essas pessoas, de modo a aumentar o tratamento e reduzir as chances de que venham a praticar o suicídio, e em consequência a morte.

Conforme a médica que atende psiquiatria, Émile Hirdes Krüger, não é de hoje a fama de “machão” do gaúcho. “Junto a isso nota-se que culturalmente estes homens, fortes que são, não podem, ou não devem, sentir, chorar, adoecer. Negam-se a buscar ajuda devido a esse mito enraizado na cultura, não só do gaúcho, mas também dos descendentes italianos e alemães, moradores do interior do Vale. ‘Depressão é coisa de mulher’ já diria o patriarca ‘incontestável homem velho e bagual’. Não precisamos ir muito longe para ouvir frases como essa”.

E de remédio, nem se deve falar, pois assusta o homem, este que diz não gostar de remédio, porque “vicia”. “Bebe então o vinho santo de cada dia, ou aquela ‘branquinha’ sagrada de final de tarde, para acalmar os ânimos e dar coragem para viver o próximo amanhecer. Só que logo aquela hora do beber, vira o dia todo, tendo em vista tamanho o sofrimento e a necessidade de afastar o quanto antes pensamentos, emoções, medos e tristezas”, explica a médica.

“Homem não chora”. “Eu não sou dependente, paro quando quero, mas não quero parar”. E assim se passam os dias, mas a tristeza vem, seja são, seja sóbrio. E aquele pensamento de que nada mais tem jeito também. Talvez a morte resolva, com a coragem fornecida pelo “remédio”, o álcool, a forca se parece com a salvação.

Entretanto, segundo Émile, a ajuda existe, e às vezes algumas famílias percebem que algo está errado e que aquele homem, gaúcho macho, precisa também de cuidado e ajuda. Buscam os profissionais que podem ajudar e conseguem, muitas vezes, mostrar o quanto amam aquele que cuida e protege a família, mas que não aceita uma mão amiga. “O tratamento não é simples, e requer esforço de paciente e familiares, mas está disponível e pode salvar vidas. Buscar ajuda não é sinônimo de fraqueza, pelo contrário, é um ato de coragem que pode trazer muitos benefícios para a família inteira”, afirma.

Por daiane