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Saúde

HPV x Câncer de colo de útero: entenda essa doença silenciosa

, 17 de junho de 2016 às 14h43

Considerado uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais frequentes no mundo, o papilomavirus humano (HPV) atinge 630 milhões de homens e mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A sigla HPV significa Papiloma vírus humano. Um vírus que infecta humanos, principalmente em pele e mucosas. Existe mais de 100 tipos de HPV, cada um com as suas características e preferências. Uma pequena parcela deles pode causar câncer de colo de útero, outros levam à formação de verrugas nas regiões genitais, outros a verrugas comuns da pele e muitos não mostram nenhum sinal clínico.

Conforme a ginecologista e obstetra Thaís Nader, a infecção genital por este vírus é muito frequente e na maioria das vezes não causa doença. Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer alterações celulares que poderão evoluir para o câncer. “Estas alterações das células são descobertas facilmente no exame preventivo (o Papanicolau), e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso a realização periódica do exame é importante. O câncer de colo de útero é o terceiro tumor mais frequente nas mulheres, atrás do câncer de mama e do colorretal. Além disso, é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil”.

Sintomas do HPV

O HPV genital geralmente não apresenta sintomas. Segundo Thaís, mais de 90% das pessoas conseguem eliminar o vírus do organismo naturalmente através do seu sistema de defesa, sem ter manifestações clínicas. O principal sintoma, quando se manifesta, é o surgimento de verrugas genitais ou lesões na pele. “As verrugas genitais podem aparecer dentro de semanas ou meses após o contato com um parceiro portador de HPV. Geralmente as verrugas são como um grupo de protuberâncias na região genital, em vulva, colo uterino, ânus ou pênis. As verrugas raramente se transformam em câncer”.

A médica salienta que algumas vezes, as infecções não são eliminadas, e ao longo dos anos podem provocar câncer e igualmente permanecer sem sintomas. “Por isso é muito importante que as mulheres façam exame preventivo periodicamente conforme a orientação médica, a fim de detectar lesões em estágio precoce”.

Sintomas de câncer de colo de útero

O câncer de colo de útero é uma doença silenciosa, de desenvolvimento lento que pode cursar sem sintomas em fase inicial. Pode evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual e secreção vaginal anormal (corrimento fétido e de coloração diferente do usual). Em casos mais avançados pode haver dor abdominal associada a queixas urinárias.

Transmissão

Estima-se que 75% da população terá contato com o HPV em algum momento da vida, mas somente 1 a 4% desenvolverá lesões detectáveis, como verrugas ou câncer. “A via sexual é a forma de contágio mais comum. Outras formas, muito mais raras, são pelo contato com verrugas de pele, compartilhamento de roupas íntimas ou toalhas e a transmissão vertical da mãe para o feto (durante o parto)”, explica Thaís.

O vírus pode ser transmitido mesmo quando a pessoa não tem sintomas. Ele pode ficar encubado, presente no organismo, mas sem se manifestar por muitos anos. Por isso é praticamente impossível saber quando ou como a pessoa foi infectada.

Prevenção

Uso de preservativo: esse é o principal método para evitar a transmissão do HPV. Não deve ser esquecido durante todas as relações sexuais, inclusive no sexo anal ou oral. A camisinha feminina é mais eficaz que a masculina, pois permite um contato menor entre a pele dos parceiros. Bons hábitos de higiene também ajudam, como evitar duchas intravaginais e uso de sabonetes abrasivos na região genital.

Consultas anuais com ginecologista e exame preventivo: o exame preventivo do câncer do colo do útero é a principal estratégia para detectar lesões precursoras de câncer e fazer o diagnóstico precoce da doença. O exame é indolor, simples e rápido. Mulheres grávidas também podem se submeter ao exame, sem prejuízo para sua saúde ou do bebê.

Vacina contra HPV: a vacina é segura e recomendada pela OMS. No Brasil o SUS fornece a vacina para as meninas de 9 a 13 anos, grupo etário que provavelmente ainda não teve contato com o vírus, pela probabilidade de ainda não ter relações sexuais. Porém, já existem diversos estudos que mostram ser válida a realização da vacina em mulheres de até 27 anos e até mesmo aquelas que já tiveram lesões causadas pelo HPV.

Tratamento

Thaís salienta que não existe nenhum tratamento para o vírus do HPV em si. “A maioria das infecções desaparece em dois anos pela defesa do organismo através do sistema imunológico. Quando há verrugas genitais, elas podem ser tratadas com ácidos, cauterizadas ou retiradas cirurgicamente. Além disso, as alterações celulares pré-cancerosas causadas pelo HPV e o câncer de colo do útero também têm tratamento específico. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, seja de lesões precursoras ou de câncer, mais chances de cura.

Por daiane