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Homicídios e furtos de veículos são os crimes que mais crescem

, 5 de junho de 2016 às 10h00

Vale do Taquari – A criminalidade vem aumentando nos últimos anos em Arroio do Meio, bem como em todo Vale do Taquari. Homicídios, furtos de veículos e roubos tiveram aumento considerável entre os anos de 2010 e 2015, no Vale do Taquari. Por outro lado, outros tipos de crime, como furto simples, vêm diminuindo consideravelmente desde 2010. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul.

O número de homicídios vem crescendo nos últimos anos em Arroio do Meio. Em 2010, 2011 e 2012, três pessoas morreram de forma violenta. Uma ao ano. Em 2013 e 2014, o número de homicídios dobrou, foram duas mortes violentas por ano. E no ano passado o número continuou em alta, com o registro de três homicídios no município.

Além dos homicídios, o furto de veículos foi uma das modalidades de crime que mais cresceu no período. Em 2010, 13 veículos foram levados pelos bandidos, mesmo número de ocorrências registradas em 2014. Número bem maior foi computado em 2015, quando 22 veículos foram furtados. Já o roubo de veículo teve redução considerável em Arroio do Meio. Em 2010, foram roubados seis veículos, mesmo número de 2011. Já em 2015 esse número caiu para apenas uma ocorrência.

No que diz respeito a roubos em geral, o número de ocorrências quase dobrou na comparação entre 2010 e 2015. Quatorze e 26 registros respectivamente. Diferentemente, os casos de furtos tiveram queda no período. Em 2010 foram 239 ocorrências, contra 192 em 2015.

O roubo acontece quando há a apropriação de objeto alheio, com emprego de violência física ou psicológica. Ex: Ladrão que rouba um carro utilizando de agressão física e/ou verbal. Já o furto é caracterizado pela apropriação de objeto alheio, sem consentimento e sem o uso de violência. Ex: Quando o ladrão furta um carro estacionado, sem o motorista ou terceiros no local.

Crimes ligados ao tráfico de drogas também tiveram crescimento significativo no período. Em 2010, foram registrados 18 casos de posse de entorpecente. Já em 2015, esse número mais que dobrou, foram 53 ocorrências.

Municípios menores

Capitão, Travesseiro e Pouso Novo apresentam baixos índices de criminalidade por serem municípios pequenos. O crime mais comum nessas cidades é o furto, no qual Pouso Novo lidera o ranking das três, com 153 ocorrências registradas. Lajeado, Estrela e Teutônia estão no topo da lista, os quais possuem os mais altos índices do Vale do Taquari.

O que diz a Polícia Civil

O delegado regional de investigações João Antônio Merten Peixoto atribui o aumento da criminalidade a três fatores: a crise financeira, aumento do desemprego e redução do efetivo da Brigada Militar e da Polícia Civil devido a aposentadorias. Revela que o quadro de Policiais Civis em 2011 no Vale do Taquari era de 114 agentes. Em 2015 esse número reduziu para 75 e, nesse ano, o quadro de profissionais está ainda menor, com apenas 70 pessoas. “A previsão é que o quadro diminua ainda mais. A estimativa é chegarmos a 65, ainda esse ano”, disse.

Peixoto salienta que há 600 pessoas aprovadas em concurso público esperando serem chamadas. Porém, a atual situação financeira do Estado impossibilita a contratação. Revela que 50% destes aprovados devem ficar na região metropolitana e os outros 50% devem ser pulverizados para as outras 29 regiões de atuação da Polícia Civil. “Devem vir no máximo 10 policiais para o Vale do Taquari”, destaca.

Segundo o delegado, algumas delegacias do Vale funcionam com apenas 50% do efetivo. Em algumas com apenas um policial, que precisa realizar o trabalho de atendimento, ocorrências e investigação. Entre as Delegacias de Polícia que estão nessa situação estão a de Tabaí, Paverama, Fazenda Vilanova, Bom Retiro, Pouso Novo, Progresso, Nova Bréscia, Roca Sales e Muçum. “Para se ter uma ideia, Bom Retiro chegou a contar com quatro policiais, hoje possui apenas um. Havia quatro também em Cruzeiro do Sul. Hoje há apenas dois. Arroio do Meio está com três. O ideal seria o dobro”, revela.

Efetivo reduzido

A falta de efetivo também afeta a Brigada Militar. Conforme o capitão Eduardo Senter, responsável pela Brigada Militar de Arroio do Meio, a corporação trabalha com um déficit de 50% em seu quadro. Essa defasagem deve ficar ainda maior, já que oito brigadianos devem se aposentar no decorrer do ano. Segundo ele, um concurso público foi realizado para a contratação de novos agentes, porém não há previsão de contratação.

Lajeado no topo

Com 11 homicídios registrados em 2010, Lajeado é o primeiro do ranking no Vale. Também foram 11 crimes dessa natureza em 2013. Em 2014 esse número subiu para 30 casos, caindo para 15 mortes em 2015. O furto de veículos também teve aumento considerável. Em 2010, 146 veículos foram levados pelos criminosos. O índice chegou ao pico em 2013, quando 206 veículos foram furtados. Número que caiu em 2014, voltou a subir em 2015. No período foram levados, 172 e 190 veículos, respectivamente.

Diferentemente de Arroio do Meio que teve redução no roubo de veículos, Lajeado teve aumento nesse tipo de crime entre, 2010 e 2015. Em 2010 foram 39 roubos; em 2013 o número subiu para 60 casos, caindo em 2014 para 55 ocorrências e vindo a subir novamente em 2015 quando foram registrados 73 roubos. O crime de tráfico de entorpecente também aumentou na comparação entre 2010 e 2015 nesse município. Cinquenta e cinco em 2010 contra 88 em 2015.

No Estado

A criminalidade no Estado aponta números assustadores. Houve aumento em algumas modalidades de crimes e redução em outras. Um exemplo disso é o furto e o roubo de veículos que aumentaram na comparação com 2014 e 2015. Em menor proporção, o número de homicídios também cresceu no período.

Em 2014 ocorreram 18.962 furtos de veículos, enquanto que em 2015 houve o registro de 20.409 veículos furtados. Outra modalidade, o roubo de veículos também teve aumento no comparativo 2014 e 2015: foram 13.706 e 18.142 respectivamente. O número de homicídios também cresceu no Rio Grande do Sul. Foram 2.342 casos em 2014, contra 2.405 no último ano.

Já o furto simples teve redução no número de ocorrências no período. Foram 169.523 ocorrências em 2014 contra 158.010 no ano que passou. Conforme autoridades da área da segurança, os delinquentes podem estar migrando para outras modalidades de crimes, mais rentáveis, o que justifica a redução. O número de latrocínios se manteve nos últimos dois anos. Foram 141 casos em 2014, contra 140, em 2015.

Por daiane