Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 16 de Julho de 2020

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Com o lema Quem ama conhece a Deus, diácono Felipe Bernandon será ordenado padre nesta sexta-feira

, 10 de junho de 2016 às 9h18

Arroio do Meio – O diácono Felipe Bernandon, 27 anos, viverá hoje à noite um dos momentos mais marcantes de sua vida: será ordenado padre. A cerimônia de Ordenação Presbiteral se realiza às 19h na Gruta Nossa Senhora de Lourdes de Itapuca – Anta Gorda, tendo como Bispo Ordenante Dom Paulo de Conto, bispo da Diocese de Montenegro.

O diácono Felipe atua desde o início do ano na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Arroio do Meio como auxiliar pastoral no exercício do seu ministério. A paróquia lotou dois ônibus com pessoas da comunidade que vão prestigiar este importante momento.

A primeira missa do novo padre será realizada dia 12 de junho, domingo, às 10h na Comunidade São Roque de Linha Tunas, município de Anta Gorda. Ao meio dia será servido almoço festivo e às 13h30min haverá o Show Vocacional com o Pe. Ezequiel Dall Pozzo. Em Arroio do Meio, onde irá atuar como vigário paroquial, reza a primeira missa no Hospital São José, na quarta-feira, dia 15, às 14h30min.

Em entrevista, o jovem conta um pouco de sua trajetória e do despertar para a vida sacerdotal. Confira:

AT- Quem é Felipe Bernardon?

Diácono Felipe Bernardon – Sou o primeiro filho do casal Luiz Carlos Bernardon e Ivete Lurdes Rovasdoschi Bernardon. Tenho uma irmã que se chama Diana Paula, casada com Jaimir, e fruto desse amor conjugal nasce o meu sobrinho Bernardo. Esta é minha família que recebi de Deus. Todas as vocações da Igreja Católica, seja o matrimônio, a vida religiosa, a vida sacerdotal ou laical nascem de uma família. E todas as vocações são santas e levam a santidade. Um pai, uma mãe santa convertem uma família; um padre, um irmão ou irmã religiosa santa convertem uma comunidade. Quero agradecer pelo amor e dedicação da minha família comigo, obrigado por vocês existirem. É sempre bom lembrar que nascemos do amor de Deus, de um homem e de uma mulher, que se tornam nosso pai e mãe. Somos frutos do amor divino e humano.

Faço parte da comunidade São Roque de Linha Tunas, que pertence a Paróquia São José do Patrocínio localizada no distrito de Itapuca, munícipio de Anta Gorda. Mais conhecida como a Paróquia da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que atualmente tem como pároco Pe. Clécio José Henckes.

AT – Como foi o despertar para a vocação do sacerdócio? Foi inspirado por alguém?

Diácono Felipe Bernardon – Quem nos chama a uma vocação é sempre o Senhor. Não fui eu que escolhi ser padre, foi Jesus que me escolheu, me chamou para ser padre. A minha motivação para ser padre é Jesus Cristo, primeiro por que Ele institui o Sacramento da Ordem e da Eucaristia na Quinta-feira Santa, conforme o relato bíblico de (1 Cor 11, 23-26). Segundo, Jesus Cristo passou pela paixão, morte e ressurreição por amor a cada um de nós, Ele deu a sua vida por mim, por você. Para ser um cristão fiel é necessário passar pelo caminho Pascal da fé, que inclui o caminho da Cruz de Cristo. E ser padre é dar a vida pelos outros, em nome de Cristo. Ser padre é amar a Jesus Cristo e a todas as pessoas. A minha vocação surgiu por causa da oração da minha família, em especial da minha nona Pedrinha que rezava e pedia a Jesus para ter um padre na família. Sem oração não existe vocação e fidelidade ao chamado de Deus. Dois fatos foram marcantes para mim: primeiro quando o Pe. Darci me convidou para ser coroinha na comunidade com sete anos, e segundo, quando eu vi o Pe. Giocondo levar a santa comunhão para um doente da comunidade. Acontecimentos que marcaram a minha vida, pois Deus age através das pessoas. Obrigado por vocês serem a voz de Deus em minha vida vocacional.

AT – Como foi a trajetória e a preparação até chegar na ordenação? Quais foram os principais desafios até aqui?

Diácono Felipe Bernardon – O caminho para ser padre, para chegar à ordenação, começou em 2004 no Seminário Sagrado Coração de Jesus, aqui de Arroio do Meio, onde estudei no Ensino Médio no Colégio Guararapes e no São Miguel. Depois realizei o Propedêutico, tempo de maior discernimento da vocação no Seminário São João Batista de Santa Cruz do Sul. Depois para ser padre, é necessário fazer o Curso de Filosofia de 3 anos e de Teologia, 4 anos, realizado na PUCRS, onde morei por estes 7 anos de formação da Filosofia e Teologia no Seminário Dom Alberto de Viamão. No dia 13 de dezembro de 2015 aconteceu a minha Ordenação Diaconal, um passo antes de ser padre. O meu maior desafio foi deixar a minha família com 15 anos, para entrar no seminário. Foi minha primeira experiência de sair de casa e ficar longe das pessoas que amamos.

AT – Como o senhor se sente às vésperas de ser ordenado? Qual é o lema escolhido?

Diácono Felipe Bernardon – A palavra que define esse período às vésperas do dia da Ordenação Presbiteral é ansiedade. O lema que escolhi para vivência do sacerdócio foi da 1ª Carta de São João 4, 8: “Quem ama, conhece a Deus”.

AT – Sabemos que a formação de novos padres está aquém da demanda. O que lhe motiva a seguir a caminhada religiosa?

Diácono Felipe Bernardon – A nossa Diocese de Santa Cruz do Sul vive um momento de poucas vocações sacerdotais, mas eu confio que quem conduz a Igreja é Jesus Cristo, a Igreja Católica é obra divina e humana. Precisamos rezar para que o nosso filho, nosso neto seja padre, as vocações nascem através da fé e da oração das pessoas. A minha motivação para ser padre é Jesus Cristo, e este nome precisa ser anunciado e vivido por todas as pessoas. O ser humano precisa sentir-se amado pelo Senhor, precisa encontrar-se com Jesus Cristo. Eu, como batizado, preciso viver o meu batismo onde estou, o Senhor me chamou para viver o meu batismo como padre, e desde o ventre materno Ele me conhece. Poço dizer que sou muito feliz na vocação que Jesus Cristo me chamou para viver. Jovem tenha coragem de ser padre, ouça a voz, o chamado de Deus.

AT – Quais as expectativas que o senhor tem em relação ao sacerdócio e ao futuro da Igreja Católica?

Diácono Felipe Bernardon – O Sacerdócio foi instituído por Jesus Cristo na Quinta feira Santa, onde Cristo instituiu o Sacramento da Ordem (lembramos o Lava Pés), o padre deve estar a serviço das pessoas, como Cristo fez. E também o Sacramento da Eucaristia. Somente existe a Sagrada Eucaristia, se houver padre. A unidade entre Sacerdócio e Eucaristia. As minhas expectativas é que o Senhor me dê forças para viver santamente a vida como padre, a santidade significa intimidade com Deus, imitação de Cristo, amor sem reservas às almas e amor à Igreja. Sou a favor do celibato para quem deseja ser padre, o Senhor quer a integralidade do meu ser, da minha vocação no chamado que Ele realiza. Todas as vocações são abençoadas, quando bem vividas na graça e no amor de Deus.

Em relação ao futuro da Igreja Católica: Quem conduz a vida, o futuro da Igreja é o Espírito Santo. A Igreja do futuro vai exigir do cristão que vivam verdadeiramente a Palavra de Deus, através de obras. A fé sem obras é morta. E também precisamos corrigir nossos erros de dizer: eu sou católico não praticante. Ou você vive a fé ou não vive a fé cristã.

Por daiane