Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 16 de Setembro de 2019

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Economia

Saúde vive a maior crise dos últimos tempos

, 21 de maio de 2016 às 9h30

Arroio do Meio – A saúde pública nunca esteve tão em evidência quanto nos últimos meses. Praticamente todos os dias se veem notícias retratando dificuldades pelas quais passam os hospitais, especialmente os que dependem de recursos públicos. Diante de atrasos de repasses ou o cancelamento de convênios, casas de saúde são obrigadas a readequarem seu já enxuto orçamento, comprometendo, muitas vezes, a quantidade e a qualidade dos serviços prestados. Em casos ainda mais delicados, arriscam seu próprio patrimônio e são obrigadas a recorrer a empréstimos em instituições financeiras.

O Hospital São José de Arroio do Meio é um dos muitos que está readequando o orçamento, a fim de manter o atendimento normal. Com repasses pendentes de pagamento por parte do Estado na ordem de R$ 1 milhão, tem procurado otimizar sua estrutura e ajustar seu orçamento de acordo com os limitados recursos financeiros. O diretor-geral de Operações da Rede de Saúde Divina Providência, José Clóvis Soares, diz que ainda não houve redução nos atendimentos nem redução no quadro de funcionários. Isso, graças ao apoio da mantenedora, a Sociedade Sulina da Divina Providência, o apoio da comunidade e das prefeituras que usam os serviços do hospital.

Outro diferencial que tem dado resultados positivos é o trabalho em rede. A Rede de Saúde Divina Providência é composta por três hospitais além do São José – o Hospital Santa Isabel, de Progresso e o Hospital Independência e o Divina Providência, ambos de Porto Alegre. Diante do momento de recursos escassos, o trabalho em rede agrega valores e cria sinergia na busca de melhores práticas de gestão.

Os processos internos foram padronizados e as compras são feitas em conjunto, o que favorece para a manutenção dos quatro hospitais, já que otimiza a estrutura e os recursos, mantendo a qualidade e assistência. “A situação está difícil, não só no SUS, na rede pública, mas também na rede privada, que também sofre com a limitação de receita. A saída é buscar, em parceria, alternativas para reduzir custos. A rede estimula a integração, o compartilhamento do conhecimento e das ações em busca da melhoria contínua das instituições”, afirma Soares.

Além da economia, o trabalho em rede traz outros benefícios, como a padronização de documentos, dos processos, de rotinas, de materiais e de medicamentos. A rede proporciona o compartilhamento de serviços corporativos, como da Tecnologia da Informação, do financeiro, da controladoria, da contabilidade e no setor jurídico. “Em rede também se divide responsabilidades o que proporciona as condições para se fazer mais com menos.”, destaca.

Hospitais estão se descapitalizando

Para o diretor, que atua no ramo hospitalar há 27 anos, esta é a pior crise na saúde que já viveu. As anteriores eram crises pontuais, geralmente afetavam a saúde pública e a rede privada ficava ilesa.

Nos hospitais menores a situação é ainda mais delicada, pois há a redução da capacidade assistencial e redução de serviços. A consequência da crise será o colapso da rede de assistência hospitalar, com o sucateamento, redução de serviços e leitos e até mesmo o fechamento de vários hospitais.

A fim de que o sistema de saúde não entre num colapso ainda maior, o diretor-geral diz que é preciso mais ação e menos discurso por parte dos governantes do Estado e da União. No tocante às prefeituras, Soares diz que não há do que se queixar, visto que há uma excelente parceria com o poder público municipal. “A saúde tem que ser uma prioridade na prática, não só nos discursos. Tem que achar alternativas para manter os hospitais em funcionamento. O custo de um hospital que fecha, para reabrir é altíssimo”, alerta.

UTI

Se o Estado já apresenta dificuldades para repassar os valores devidos mensalmente, que dirá dispor de recursos para novos investimentos, como a instalação da UTI. Na concepção inicial do projeto, o investimento na obra física seria do Estado, já que os leitos atenderiam a demanda da rede pública. Com isso, o hospital está buscando novas alternativas para custear a obra e a estrutura necessárias para a UTI, orçadas em mais de R$ 2 milhões.

Até que não haja definição quanto aos próximos passos, o hospital mesmo sem a participação do Estado e do governo federal, mas com recursos próprios e com auxilio da Prefeitura de Arroio do Meio deu início no projeto da UTI.

Por daiane

José Clóvis Soares, que desde fevereiro é o diretor-geral de Operações da Rede de Saúde Divina Providência, diz que o trabalho em rede agrega valores e cria sinergia na busca de melhores práticas de gestão