Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 26 de Agosto de 2019

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Especial

Desafio: acompanhar a evolução do nosso mercado

, 1 de abril de 2016 às 11h27

Há 25 anos, o empreendedor Gilmar Bourscheid, não temeu a crise financeira que vivia o país e apostou na Indústria de Produtos de Limpeza Girando Sol. Exatos 25 anos depois, inaugura hoje uma das fábricas mais modernas do segmento na região Sul do Brasil. Em entrevista, ele fala do trabalho realizado para o crescimento da empresa, bem como os desafios de inovar e se manter no mercado.

AT- Hoje a Girando Sol é uma das maiores empresas de Arroio do Meio e se destaca na região Sul, inclusive com a conquista de diversos prêmios e distinções. O que foi determinante para que o senhor chegasse até aqui?

Gilmar Borscheid – Sempre tive muita convicção sobre as coisas. Procurei me cercar de pessoas boas e competentes, corrigir com rapidez as questões que não estavam alinhadas com o mercado, escutar as opiniões das pessoas, compartilhar pensamentos de trabalho com a equipe, acertar muito mais do que errar. Penso que é determinante ter uma equipe qualificada e confiável que cumpre o planejamento e, acima de tudo, trabalhe e se dedique muito.

AT- O que levou a Girando Sol a investir numa planta moderna e tecnológica com a fabricação, inclusive, das embalagens?

Gilmar Borscheid – Nos três prédios que tínhamos unidades (Matriz e Filial 2 em Arroio do Meio e Filial 1 em Lajeado) a capacidade estava tomada. Em Lajeado já tínhamos alugado três pavilhões, a matriz estava num prédio alugado onde estávamos há mais de 23 anos, precisando de grandes e urgentes reformas, e o prédio do Navegantes estava dividido em duas áreas, uma área nova em torno de 2000m² e o restante era construção antiga e cheia de labirintos. O custo da estrutura estava ficando muito pesado, considerando as distâncias entre as unidades, os controles necessários, tanto para adequar legislação/meio ambiente e processos internos, então decidimos construir e centralizar tudo. E, além disso, não estávamos mais conseguindo lançar produtos devido às capacidades instaladas dessas unidades, com processos já esgotados. Em relação às embalagens achamos estrategicamente importante não depender de terceiros para fabricação das embalagens de nossos 140 itens no mix de produtos.

AT- Quais são os principais desafios que devem ser vencidos a fim de se tornar e se manter competitivo no mercado?

Gilmar Borscheid – Nosso desafio é acompanhar a evolução de nosso mercado. Entender e estar atento às exigências dos consumidores, se adequar o mais rápido possível aos hábitos e costumes de nossos consumidores, sempre tendo como princípio uma gestão eficiente, voltada para a lucratividade, com produtos de qualidade e preço justo, que fará com que as demandas possam ser realizadas.

AT- Quais são os maiores entraves para os empreendedores no Rio Grande do Sul e no Brasil?

Gilmar Borscheid – Os grandes entraves em nosso estado e país são a insegurança emocional instalada, a falta de confiança. Políticos não falam a linguagem do país, com isso indústria e consumidores não se sentem seguros. Precisamos urgente, através de muita eficiência de nossos líderes, fazer com que a confiança e a autoestima entre as pessoas se reestabeleça com segurança política, com projetos viáveis e palpáveis, para que possamos voltar a trabalhar e viver mais tranquilos, podendo assim consumir com segurança de emprego e renda, assegurando através do consumo a evolução de nosso estado e país.

AT- Ainda diante das incertezas da retomada de investimentos e crescimento no país, como o senhor pretende dirigir a Girando Sol daqui para frente?

Gilmar Borscheid – Os 25 anos de Girando Sol nos deram algumas lições. Evidente que não imaginava vivenciar um processo de impeachment novamente, bem no período em que investimos valores relevantes, realmente isso nos preocupa muito. Mas já passamos por isso, tenho esperança de que rapidamente nossos governantes e as pessoas competentes encontrarão a solução para a insegurança instalada.

Desde 1991, até agora, nossas atitudes, nosso jeito de fazer, nos trouxeram até este exato momento. Como nestes primeiros 25 anos, temos o compromisso de construir os próximos 25 anos, com harmonia, planejamento, organização, disciplina e muito trabalho. Vamos manter o foco voltado à qualidade e preço justo, estar alinhados com a necessidade de nossos clientes e consumidores, porém agora com um grande diferencial, o de fazermos tudo isso dentro da nossa própria casa, ampla, moderna e tecnológica.

Rezamos para sermos abençoados por Deus em nossa casa como fomos abençoados nestes primeiros 25 anos.

AT – Com a crise econômica, que afeta o poder de compra do consumidor, a Girando Sol pode perder vendas no mercado interno? E como atua no mercado externo?

Gilmar Borscheid – Em certo aspecto a crise favorece a Girando Sol, pois temos como princípio desenvolver produtos com qualidade e preço justo. Ganhamos muitos consumidores devido ao nosso preço de venda ser inferior a muitas marcas, sendo que a qualidade de nossos produtos têm os levado a repetir a compra dos itens da marca. Em 2016 estamos crescendo 3,5% em volume, o que é expressivo considerando o momento. E a exportação está com crescimento bem superior.

AT- Estamos vivendo uma crise política e, consequentemente, econômica das mais graves. Paralelamente, em muitas pequenas cidades do país, a exemplo de Arroio do Meio, estamos vendo um enorme esforço por parte de empresários e trabalhadores para manter o bem-estar com qualidade de vida. O senhor acredita que vamos superar esta fase em curto espaço de tempo? E a que preço?

Gilmar Borscheid -Não acredito em solução de curto prazo, melhorias sim. Todos sabemos que para sair de uma crise precisa fazer um diagnóstico real da situação, criar um planejamento com trabalho e conduta. Tudo precisa de um tempo para colher e dar frutos. Na roça, por exemplo, precisamos cuidar da terra durante um ano, para aí colher. Precisamos usar o famoso CHA (conhecimento, habilidade e atitude), criar movimentos favoráveis, necessitamos de políticos e políticas boas, o nosso sistema é burocrático e lento e, temos de confiar e fazer a nossa parte, cada um fazer a sua parte. Uma crise pode ser também oportunidade e um ditado que acho verdadeiro é que “enquanto alguns choram outros vendem lenços”. Depende da forma como encaramos. Temos de nos reinventar, achar nossa maneira de sairmos vitoriosos. Em 1989 a inflação era de 1.783% ao ano, em 1990 era de 1.476%, dá para imaginar?! Naquela época só tinha telefone fixo, que era uma fortuna, celular nem pensar, notebook, fax eram coisas de luxo, vejam quantas oportunidades surgiram depois da crise de 1991, quantos planos até estabilizar a inflação. A Girando Sol é um exemplo disso, começamos em época de crise, em 1991. Em resumo, não podemos perder a esperança, temos de ser menos orgulhosos e pensar mais no todo e seus reflexos. Uma grande saída é trabalhar e se doar mais, isso serve para todos os aspectos da vida, as coisas não caem do céu.

Por daiane