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Inauguração da Hidrelétrica Cazuza Ferreira marca os 60 anos da Certel

, 26 de fevereiro de 2016 às 8h56

Rio Grande do Sul – Os 60 anos da Certel, mais antiga cooperativa de infraestrutura em atividade no país, foram comemorados na tarde da sexta-feira (19), no distrito de Cazuza Ferreira, interior de São Francisco de Paula, com a inauguração da Hidrelétrica Cazuza Ferreira.

Diversas autoridades, como secretários estaduais, deputados estaduais e federais, representantes de entidades e líderes comunitários prestigiaram o evento. A primeira dama do Estado, Maria Helena Sartori, representou o governador José Ivo Sartori que foi chamado às pressas para uma reunião em Brasília com a presidente Dilma Rouseff, para tratar da dívida do Estado com a União.

Situada no rio Lajeado Grande, a Hidrelétrica Cazuza Ferreira, tem também como sócias a cooperativa Coprel, de Ibirubá, e a Geopar, de Porto Alegre. O custo da obra foi de R$ 35 milhões por meio de financiamento do Badesul, ficando abaixo do orçamento e dentro do prazo de 638 dias, sem acidentes.

Com uma potência instalada de 9.100 kilowatts (kW), a Hidrelétrica Cazuza Ferreira vai gerar energia limpa para mais de 30 mil pessoas. A usina atende o padrão dos demais empreendimentos das cooperativas Certel e Coprel e também da Geopar, respeitando as normas e legislações ambientais vigentes. Tanto que um dos focos foi a manutenção do aspecto cênico da cachoeira existente nas proximidades, com 87 metros de queda d’água.

Até 1996, esse mesmo local abrigava uma pequena usina de 150 kW da Cevicaf que produzia energia para 35 famílias. A cooperativa foi incorporada pela Certel em 2001. A Certaja de Taquari, também foi uma importante influenciadora para que este projeto se tornasse viável.

Além de gerar energia limpa e renovável, a Hidrelétrica Cazuza Ferreira repassará muitos benefícios a São Francisco de Paula através da geração de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Agradecimento

De acordo com o diretor de geração de energia e diretor-técnico do empreendimento, Julio Cesar Salecker, o empreendimento é um grande exemplo de intercooperação. “Temos 22 hectares de lago para 9,1 MW, e isso é maravilhoso, pois se alaga pouca área em relação à energia que se gera. A Organização das Nações Unidas classifica todo empreendimento hidrelétrico com mais de 4 MW por quilômetro quadrado como um empreendimento limpo para o mundo, e este aqui tem 41 MW por quilômetro quadrado de área inundada, ou dez vezes mais do que a ONU considera como obra com energia limpa”, comparou.

Avanço

O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Frederico Perius, salientou que as crises do mundo sempre são de capital financeiro, e as cooperativas avançam neste momento. “Cooperativas como Certel e Coprel produzem energia para seus sócios e, quando sobra, 12% são aplicados para energia bifásica e trifásica, exclamou.

Incansáveis

O Secretário Estadual de Minas e Energia, Lucas Redecker, se disse satisfeito em trabalhar com cooperativas na busca de soluções de infraestrutura, para que desenvolvimento possa caminhar junto com o respeito ao meio ambiente. Também destacou a sensibilidade delas em ajudar. “Quando tivemos em Porto Alegre este grande temporal há dias atrás, pedimos o auxílio das cooperativas e a Certel e a Certaja nos mandaram ajuda, grupos de profissionais eletricistas que nos ajudaram naquele momento difícil. Ou seja, a cooperativa cumpre sua função visando o bem comum, o desenvolvimento e o futuro do Estado”.

Exemplo de sucesso

O prefeito de São Francisco de Paula, Antônio Juarez Hampel Schlichting, avaliou que o empreendimento é resultado de ação efetiva de homens visionários que, no passado, criaram a Cevicaf para gerar sua própria energia. E agora, por meio da Certel, gerar este processo virtuoso de investimento e de geração de energia para muitas pessoas, com garantia de água limpa, natureza preservada e de impacto ambiental quase zero.

O prefeito criticou a demora de 20 anos para a liberação das obras da usina e afirmou que a desburocratização é necessária para o desenvolvimento sócio sustentável do país. Por fim, lançou a criação de um polo industrial nas imediações, oferecendo 36 hectares na margem da Rota do Sol, para inciativas empreendedoras.

Segurança – O presidente da Coprel, Fecoergs e Infracoop, Jânio Vital Stefanello, destacou que esta é a 22ª hidrelétrica do sistema cooperativo gaúcho. “O cooperativismo mostra que estamos construindo grandes saídas para o país e para o mundo, pois tem equilíbrio entre o econômico e o social, garantindo um meio ambiente preservado para os nossos filhos”, completou.

Agilidade

Maria Helena Sartori disse que uma das grandes preocupações do governo era com a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. “A grande queixa que vínhamos recebendo era de processos com longos anos parados. Temos feito um grande esforço para agilizar, e muita coisa já mudou. Não mudou tudo, mas criaram-se importantes mecanismos, como exemplo, passar para os municípios o que eles podem licenciar. Porque o Estado precisa se desenvolver, e muita coisa deixa de andar porque estava parando ali”, enalteceu.

A primeira dama ainda compartilhou um pensamento cooperativista do governador. “Diz sempre que, sozinho, a gente não consegue resolver, precisamos de parcerias. E quando não acontece, é porque realmente não tem como acontecer. Sem gerar esperanças”, revelou.

Preservação

A Cachoeira dos Degolados, com 87 metros de queda livre, conhecida na região em função das degolas ocorridas no período da Revolução Farroupilha (1835 a 1845), cria nesta reserva ambiental uma paisagem marcante e bela do final do barramento da Hidrelétrica Cazuza Ferreira. Até a implantação da usina, não havia visitação no local. Hoje, graças aos programas ambientais desenvolvidos durante e após a construção, é possível vislumbrar uma das mais belas obras da natureza rio-grandense.

Ato religioso – A bênção da obra foi efetuada pelo bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom Alessandro Carmelo Ruffinoni.

Rio Taquari tem três projetos viáveis

O presidente da Certel, Erineo José Hennemann, ressaltou que, com a hidrelétrica, o RS passa a depender menos da energia que é gerada em outros estados através do Sistema Interligado Nacional. “Nosso Estado conta ainda com muitos outros potenciais hidrelétricos que devem ser aproveitados. Somente no rio Forqueta, onde já temos duas hidrelétricas em operação, temos inventariadas outras cinco usinas que serão edificadas e, para o rio Taquari, há três projetos viáveis. Somente o Vale do Taquari poderia se tornar autossuficiente, gerando toda sua energia através dessas pequenas centrais hidrelétricas”, afirmou.

Também cumprimentou os associados da Certel pela passagem do 60º aniversário, salientando que o quadro social sempre contribuiu para as atividades implementadas e, principalmente, com o desenvolvimento da região. Atualmente a Certel conta com 70 mil sócios.

A Certel aguarda uma resposta da Fepam para tocar o projeto da instalação da usina de Muçum e conseguir a licença ambiental prévia. As etapas do empreendimento contemplam ainda o estudo de viabilidade, leilão de energia, projeto básico, a licença de instalação, construção da usina, a licença ambiental de operação e a operação propriamente dita.

Pelo inventário do rio, a hidrelétrica entre Muçum e Roca Sales vai ter capacidade de produzir 79,50MW, energia suficiente para atender uma população de 240 mil pessoas. Já o projeto para a construção da hidrelétrica de Encantado está parado. Pelos estudos, a usina entre Encantado e Muçum teria capacidade para gerar 36,20MW.

Por daiane

Presidente Ereneo Hennemann avalia que o Vale do Taquari poderia se tornar autossuficiente, gerando toda sua energia através de pequenas centrais hidrelétricas