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Jornal da Semana
Comportamento

Relação entre estresse e cortisol

, 15 de janeiro de 2016 às 8h10

O cortisol é um hormônio corticosteróide produzido pela parte superior da glândula suprarrenal. Ele está diretamente envolvido na resposta ao estresse. O cortisol ativa reações do corpo diante de situações de emergência, transmitindo impulsos nervosos ao hipotálamo para ajudar na resposta física aos problemas, aumentando a pressão arterial e o açúcar no sangue, propiciando energia muscular para a fuga. Por isso, conforme a neuropsicóloga Ivone Brito, o cortisol é chamado de hormônio do estresse. “Em proporções normais, este hormônio é fundamental para o bom funcionamento do corpo, melhorando a capacidade integrativa do organismo com o meio buscando restaurar a homeostase (o equilíbrio interno após um evento estressor)”.

Mesmo que o cortisol seja necessário em nosso organismo, quando se encontra em excesso no sangue, poderá causar danos à nossa saúde. No caso de estresse prolongado, o organismo terá seus processos fisiológicos irregularizados causando aumento do risco de obesidade, hipertensão, diabetes, infarto, derrame, aumento do colesterol, pressão alta, imunossupressão (sistema imunológico baixo), alteração dos padrões de sono, dores musculares, fibromialgia, depressão, entre outros. Em longo prazo, o cortisol alto resultará na danificação das células do hipocampo, levando a diminuição da capacidade de aprendizagem e colocando em risco o funcionamento cognitivo saudável.

Ivone alerta que o estresse é caracterizado como um quadro externo que altera o estado fisiológico de equilíbrio de um organismo, causando disfunções em diversos sistemas do corpo, dentre eles o circulatório, o nervoso e o endócrino. O estresse crônico libera altas taxas de cortisol, sendo uma das causas do envelhecimento precoce, prejudicando o processo de emagrecimento, provocando também o famoso “branco” nos exames escolares.

O estresse pode ocasionar danos físicos e mentais

O estresse físico é aquele que agride de alguma forma a estrutura fisiológica do corpo humano, exemplo: exercícios físicos desregulados ou supressão alimentar prolongada. No caso do estresse mental, o desequilíbrio ocorre através da elevação da atividade cerebral e no aumento de neurotransmissores que intensificam o estado de vigília do corpo, propiciando o estado de alerta. Salientando que o estresse físico e mental está diretamente relacionado.

Uma vez que o estresse é superado, os níveis hormonais e o processo fisiológico voltam à normalidade. Quando se prolonga, os níveis de cortisol no organismo disparam, causando inúmeros danos à saúde, dentre eles, às funções da memória. Através deste mecanismo de regulação, se explica o famoso “branco” que os alunos têm antes das provas, que sob pressão do estresse não se lembram das questões, logo em seguida, depois da prova, vem na mente todos os conteúdos esquecidos no momento da tensão. A relação entre estresse e cortisol é tão grande que é possível medir o nível de estresse através da taxa de cortisol na saliva. No entanto, o exame mais comum para detectar sua taxa é o de sangue, sendo feito pela manhã.

Quem vive constantemente sob pressão psíquica, não consegue bons resultados no processo de emagrecimento, devido ao açúcar constantemente liberado na corrente sanguínea. O organismo acumula açúcar no sangue se preparando para a fuga ou luta. Enquanto, o cérebro traduz a informação de que existe uma ameaça ambiental, ao mesmo tempo, o açúcar se acumula e se transforma em tecido adiposo, principalmente na região abdominal.

O estresse provoca envelhecimento precoce: envelhecer faz parte do ciclo do desenvolvimento humano, iniciando-se em torno dos 25 anos, quando começa a diminuição hormonal. O estresse prolongado aumenta o nível de cortisol no sangue além do normal, provocando a oxidação celular que vai produzir radicais livres. Portanto, para ter um envelhecimento saudável, é necessário rever o estilo de vida e saber administrar o estresse. Altas taxas de cortisol são um vilão quando o assunto é rejuvenescimento.

Como fazer para equilibrar o nível de cortisol no sangue: para termos nosso equilíbrio bioquímico, psicofisiológico e hormonal é indispensável adotarmos uma conduta de vida mais harmoniosa seja no campo físico ou mental. Alguns fatores deverão ser evitados, outros, estimulados. Devemos procurar desenvolver uma conduta mais positiva e saudável perante a vida, procurando o autoconhecimento, revendo nossos hábitos e resolvendo nossas questões pessoais e relacionais que são causadores de estresse. Fique atento aos sinais que seu corpo emite, pois o sintoma é a linguagem do corpo. Procure entender à causa do seu estresse. Não existe cura sem mudança interior. Portanto, reveja seus hábitos, resolva seus problemas. Caso perceba que existe algo errado, procure ajuda de um especialista.

Por daiane