Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 20 de Novembro de 2017

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Economia

Cosuel projeta investimento superior a R$ 81 milhões

, 24 de janeiro de 2016 às 10h00

Arroio do Meio – No intuito de ampliar e diversificar as atividades, a Cosuel/Dália Alimentos deve implantar mais um grande projeto em Arroio do Meio. Depois de sediar as indústrias lácteas da cooperativa, o município vai sediar o complexo agroindustrial para frango de corte. O projeto foi apresentado na tarde de quarta-feira no gabinete do Executivo e segue agora para apreciação dos vereadores, que vão votar o incentivo do município.

O investimento da cooperativa na implantação do complexo é estimado em R$ 81.468.868,00, além de R$ 16.305.327,00 de capital de giro. O incentivo por parte do município é de R$ 2,250 milhões – R$ 1,55 milhão para compra da área de terras e R$ 700 mil para serviços de terraplenagem, compactação e detonação da área. Os 14 prédios devem ser instalados às margens da ERS 130, em frente à fábrica de leite em pó.

Antes da apresentação do projeto, o Secretário Municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Norberto Dalpian, fez um breve relato das tratativas iniciadas ainda em 2014 e salientou que havia outros municípios interessados na instalação do complexo. Estrela, Venâncio Aires e Cachoeira do Sul eram alguns dos municípios que estavam na disputa, mas Arroio do Meio levou a melhor, principalmente em função da logística. O empreendimento também era objeto de desejo de outros estados, como Paraná e São Paulo.

Embora o Rio Grande do Sul tenha perdido competitividade e a implantação de um negócio seja muito mais rápida para além das fronteiras gaúchas, o presidente executivo da Dália Alimentos, Carlos Alberto Figueiredo Freitas, frisou que é difícil deixar as raízes, já que toda base da cooperativa está no Rio Grande do Sul. Por isso a empresa decidiu continuar investindo no Estado e lutar para que sejam feitas mudanças estruturais a fim de evitar que os investidores gaúchos percam competitividade em relação aos de outros estados brasileiros.

No tocante à escolha pela instalação, Carlos Alberto frisou a boa relação com Arroio do Meio construída há várias administrações e revelou que desde o início das negociações o município não quis perder o projeto, se esforçando para chegar a um acordo.

O prefeito Sidnei Eckert afirmou que o investimento só é possível graças à organização nas finanças e uma máquina enxuta. Destacou que trata-se de um projeto de médio e longo prazos que visa o bem do município e das pessoas que nele vivem, uma das preocupações que a atual administração teve desde o seu início.

O planejamento e as maquetes do novo complexo foram apresentados pelo gerente do projeto de frango de corte Raul Mallmann. Ele detalhou os investimentos na implantação dos três empreendimentos – frigorífico de aves, fábrica de rações e a fábrica de farinhas – e apresentou a projeção de faturamento das unidades e o retorno de ICMS para o município.

Investimentos

Para a implantação do frigorífico serão investidos R$ 44.859.495,00. Já nas fábricas de ração e farinha os investimentos serão de R$ 23.878.102,00 e R$ 12.731.271,00, respectivamente. Nas três iniciativas o montante investido será de R$ 81.468.868,00. Além destes valores, que correspondem aos prédios, máquinas e equipamentos, haverá a necessidade de um investimento de R$ 16.305.327,00 em capital de giro. Também faz parte do orçamento total, a implantação do projeto ASA, estipulado em R$ 42 milhões. No total, o complexo frango de corte soma investimentos de R$ 139.774.195,00.

A previsão é de que a nova unidade gere aos cofres municipais o retorno de R$ 147.876,56 em ICMS no ano de 2017 e continue em ascensão, chegando a R$ 1.220.602,21 em 2021. Ao estar concluído serão gerados 540 postos de trabalho.

Faturamento

O faturamento anual das três unidades do complexo deve alcançar os R$ 202.980.000,00 na primeira fase e R$ 331.780.000,00 na segunda fase. A fábrica de rações vai faturar R$ 61.880.000,00 na primeira fase e R$ 123.760.000,00 na segunda. A fábrica de farinhas, que vai aproveitar a matéria-prima vinda também do frigorífico de suínos, tem um faturamento projetado em R$ 12.300.000,00 na fase inicial e R$ 16.400.000,00 na complementar. Já o frigorífico, assim como a fábrica de rações, dobra o faturamento de uma fase para outra, passando de R$ 128.800.000,00 para R$ 267.600.000,00.

O Projeto ASA

A fim de garantir a competitividade, otimizando recursos financeiros e de pessoal, foi desenvolvido o Projeto ASA – América Sociedade Avícola. O nome, segundo Freitas, é uma homenagem aos imigrantes alemães e italianos, que vieram para o Brasil na tentativa de fazer a América, melhorar de vida.

O projeto consiste de uma forma associativa de produção e engloba desde as matrizes até o frango. O matrizeiro consiste de duas granjas de recria – dois núcleos com dois galpões cada e quatro granjas de produção – dois núcleos com dois galpões cada. O frango de corte será criado em oito granjas – cada uma com 10 aviários.

Assim, toda cadeia será produzida em núcleos, centralizando o atendimento técnico, diminuindo a quilometragem rodada, facilitando a organização dos abates, além de oferecer uma série de outras vantagens. O investimento neste projeto é estipulado em R$ 42 milhões e deve ser feito exclusivamente por associados da ASA. Enquanto associados, serão donos do negócio e terão a rentabilidade dividida conforme o número de quotas adquiridas. A administração e assistência técnica ficam por conta da Cosuel.

Conforme Carlos Alberto, o processo de produção do frango de corte vai levar de sete a oito semanas. A organização dos abates será feita de forma que a cada semana sejam abatidas as aves de uma das oito granjas do complexo, cada qual com 10 aviários de 25 mil frangos. Assim, o abatedouro terá atividade constante e programada.

A empresa busca municípios interessados na implantação dos núcleos produtivos. Para se credenciar, é preciso que os interessados disponham de uma área de terras e ofereça a terraplanagem e poço artesiano. A princípio a maioria dos núcleos de frango de corte deve se concentrar no Vale do Taquari, em função da logística. Os matrizeiros, em função da legislação que prevê distância de outras unidades produtivas de aves, podem ser implantados em outra região.

O início das obras do complexo depende da liberação de financiamentos. A parte de licenças ambientais já foi elaborada e aprovada pela Fepam. A fim de agilizar os trâmites, como financiamentos e a própria formatação da ASA, o projeto deve ser votado pelos vereadores ainda nos primeiros dias de fevereiro, em sessão extra. No dia 12 a cooperativa tem uma assembleia e pretende dar início aos trabalhos de implantação do complexo.

Por daiane