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Joie de Vivre

20 de novembro de 2015 às 6h00

Joie de vivre é uma expressão usada em francês que se poderia traduzir como “alegria de viver”.

Mais do que uma frase, porém, joie de vivre define o jeito característico dos franceses. Significa aproveitar bem a vida, atribuir importância a cada detalhe, não passar batido sobre acontecimento nenhum. Significa prestar atenção, curtir o momento. Significa dedicar-se à vida cotidiana como se fosse a uma obra de arte.

Joie de vivre é uma das faces mais conhecidas do estilo de vida francês.

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Na prática, joie de vivre se faz presente, por exemplo, no cuidado com o preparo de uma refeição. Começa pela minuciosa busca dos ingredientes mais maduros e frescos, estende-se para o capricho na arrumação da mesa e se completa no tempo consumido para degustar um prato. Engolir rapidamente é quase um crime. A comida é feita para ser saboreada. Por tudo isso a cozinha francesa é famosa. Há pratos conhecidos no mundo todo, como os profiteroles, o quiche lorraine, o crème brûlée, etc.

O detalhe é que os franceses mantêm a forma. Quase não se veem franceses acima do peso. Eles sabem que comer bem não é a mesma coisa que comer bastante…

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Joie de vivre aparece também no apuro com que os franceses se vestem. Uma peça sempre harmoniza com a outra. Um traje sempre combina com o evento e com a hora do dia. Isto não significa que os franceses tenham toneladas de roupas. Muito pelo contrário, o que eles sabem fazer é selecionar peças de boa costura e incrementá-las com assessórios mais ou menos sofisticados, dependendo da ocasião. Isto não significa igualmente, que sejam escravos da moda. A costura francesa tem prestígio principalmente pelo excepcional acabamento. Vestir-se bem não é igual a usar uma roupa diferente a cada dia, muito menos, mostrar submissão ao tom do momento. Não, para eles, elegância é outra coisa.

Joie de vivre se materializa também no gosto pelo debate, no prazer de discutir ideias. Vive la différence, gostam de dizer os franceses, mostrando respeito pela opinião diferente, exatamente aquela que alimenta a polêmica.

Por fim, a França é a nação ocidental que melhor simboliza o respeito pelos direitos humanos, a partir dos ideais de liberdade, igualdade, fraternidade que pautam a vida no país desde a revolução francesa no século XVIII.

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Tudo isso somado, não admira que fanáticos religiosos definam a França como a capital “da prostituição e do vício”. O atentado terrorista do dia 13 de novembro último foi dirigido à cultura que valoriza a liberdade de pensar e cultiva a joie de vivre – um modo de vida situado a quilômetros da intolerância que menospreza a própria vida e a vida dos outros.

Por daiane

Por Ivete Kist

ivetekist@hotmail.com