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Mobilidade Urbana: população move abaixo-assinados cobrando soluções no bairro Aimoré

, 7 de setembro de 2015 às 9h15

Arroio do Meio – Depois dos caminhoneiros reclamarem da estrutura do estacionamento de caminhões nas imediações da fábrica de rações da BRF no bairro Aimoré, em protesto realizado em 2013, agora é a vez dos moradores. Em abaixo-assinados em andamento, são cobradas providências urgentes em relação ao tráfego de caminhões e questões pontuais na rua Presidente Vargas e transversais.

Conforme o documento, o bairro é classificado como zona urbana essencialmente residencial. A convivência harmônica entre moradores, empresas e fornecedores é indispensável para o bem-estar de todos. Entretanto, ocorre que o grande movimento de caminhões relacionado às empresas Cosuel (laticínios) e BRF, vêm causando prejuízos à população local.

A falta de estacionamento próprio e de um programa adequado de logística por parte das indústrias, visando a organização do alto fluxo de caminhões, gera o abarrotamento de veículos estacionados na rua Presidente Vargas e transversais. A referida via é estratégica e constitui-se na única ligação interbairros. O alto tráfego e a permanente ocupação da rua por caminhões, seguidamente estacionados em locais devidamente sinalizados como proibidos além de entradas de garagem e paradas de ônibus, prejudica a mobilidade urbana, bem como o transporte público.

O bairro em questão possui grande circulação de pedestres, bicicletas, motocicletas e demais veículos de moradores locais e pessoas que se deslocam entre bairros, pois contém vários estabelecimentos comerciais, como: mercados, armazéns, restaurantes, farmácia, lojas, posto de combustíveis, três igrejas, salões comunitários, cemitério, creche e escola.

Pelo fato de haver, diariamente, mais de duas centenas de caminhões trafegando ou estacionados no bairro simultaneamente, o deslocamento torna-se extremamente difícil, causando sérios transtornos aos residentes e grande risco de acidentes.

Observa-se que devido ao alto tráfego pesado e manobras por muitas vezes ilegais e/ou invadindo propriedades particulares, as vias do bairro estão completamente deterioradas, bem como calçadas de passeio e muros de casas, onerando moradores e o poder público a fim de realizar constantes manutenções nas vias.

Necessário alertar que a escola possui mais de 340 alunos, com idades entre seis e 15 anos, os quais, por residirem nas proximidades, deslocam-se a pé ou de bicicleta até a instituição de ensino. Essas crianças, diante do intenso trânsito atualmente existente no bairro Aimoré, estão sujeitas a atropelamento, tanto pelas manobras dos veículos de grande porte, que comumente invadem áreas privadas e calçadas, quanto pela alta velocidade com que trafegam. Por isso, a instalação de redutores de velocidade na rua Presidente Vargas é uma medida indispensável para a segurança de todos, principalmente nas proximidades da rua Helmuth Kuhn.

Também a poluição sonora causada pela expressiva quantidade de caminhões é um fator que atenta contra o sossego dos moradores e condições salubres de trabalho dos comerciantes. Os sinais sonoros decorrentes das manobras de ré e do aquecimento de motores, durante todas as horas do dia e inclusive à noite, perturbam adultos e crianças, que têm seu sono abalado e, por consequência, a saúde prejudicada.

Outra questão que merece especial atenção é o estacionamento de caminhões localizado ao lado do salão paroquial da Comunidade Evangélica, que não é adequadamente utilizado. A entrada do local não está sendo utilizada como acesso, mas sim como próprio estacionamento, o que infringe as regras de trânsito. Além disso, a falta de pavimentação do terreno destinado a estacionamento gera excesso de poeira, deixando as residências, comércios e vias dos arredores permanentemente cobertos de pó, o que se complica em dias chuvosos, pois torrões de barro são arrastados pelos caminhões para as ruas e espalhados por todo bairro. A cor predominante no bairro Aimoré hoje é o marrom, não deixando dúvidas de que a poeira e os gases tóxicos dos motores dos caminhões tomaram conta do ar, comprovando a evidente poluição atmosférica. O referido estacionamento encontra-se em estado precário, quase intrafegável, além de não possuir infraestrutura alguma, tal como banheiros, vestiários e chuveiros, a fim de atender caminhoneiros que por vezes pernoitam acompanhados de suas famílias sob condições desumanas de higiene e infraestrutura básica.

Portanto, não estão sendo respeitados os direitos da população do bairro Aimoré, em relação ao trânsito, ao sossego e ao ambiente livre de poluição – sonora e atmosférica –, tudo por conta do número excessivo de caminhões, que começam a perturbar a população a partir 5h.

Os abaixo-assinados requerem aos poderes Executivo e Legislativo, a adoção de providências imediatas para a organização, junto às empresas BRF e Cosuel, de um programa de carga e descarga eficiente e rápido, a fim de evitar o acúmulo de caminhões no bairro, bem como de estruturação do estacionamento ao lado do Salão da Comunidade Evangélica, com a pavimentação de toda a área e a proibição de parada no acesso ao local. Entende-se que devido à expansão e crescimento dessas empresas são necessários investimentos em novos acessos e estacionamentos próprios, uma vez que as vias públicas, como próprio nome diz, são PÚBLICAS, e não de uso particular por parte de apenas duas empresas.

BRF estuda mudar acesso

Em estudo desde 2012, a mudança do local da balança e a instalação de oficina da BRF dependia de uma negociação entre a integradora e os herdeiros de José Koch. De acordo com informações extraoficiais, a direção está analisando a topografia. Com as alterações o acesso ficará junto ao estacionamento municipal, desafogando o número de caminhões estacionados na rua Presidente Vargas.

No entanto, não há informações sobre eventuais mudanças no acesso à moega, situada na encosta do rio Taquari. Em 5 de agosto, um acidente envolvendo uma carreta deixou três pessoas feridas. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a mulher e o enteado do motorista foram rapidamente retirados e encaminhados para atendimento no Hospital São José de Arroio do Meio.

Devido a dificuldade de acesso, o condutor do caminhão foi removido posteriormente e levado para atendimento no Hospital Bruno Born, em Lajeado. Além de profissionais da empresa, o Corpo de Bombeiros de Lajeado e Samu foram acionados para socorrer as vítimas.

O caminhoneiro Cristiano dos Santos, 37 anos, morador do bairro Petrópolis, Passo Fundo, morreu na tarde da sexta-feira (07), 48 horas depois do acidente. “Inicialmente, informações davam conta de que todos estavam bem. Não sabemos se morreu em decorrência do acidente ou de outras complicações”, informa a assessoria de imprensa. O motorista deixa quatro filhos, dois meninos, um de sete e outro de 13 anos e duas meninas mais velhas, também menores.

Outros motoristas informam que esse não é o primeiro caso que ocorre no local em função do piso escorregadio. Ainda não foram divulgados detalhes do laudo pericial sobre as possíveis causas do acidente.

Após o acidente a BRF emitiu um comunicado interno para reforçar as diretrizes da norma corporativa que estabelece padrões rígidos para a condução de veículos no interior de suas unidades. A companhia também discute melhorias no entorno da unidade de grãos de Arroio do Meio para otimizar o fluxo de veículos.

Solução definitiva depende de orçamento

O prolongamento da rua Alagoas, entre os fundos da antiga boate Palladium, nas imediações da fábrica de embutidos da Minuano e da ponte sobre o arroio Grande, até a rua Dona Rita, no bairro São Caetano, é apontado como alternativa de fluxo interbairros e de veículos de carga que atendem a fábrica de leite longa vida da Cosuel.

A planta consta inclusive no Plano Diretor e os novos loteamentos já estão prevendo a via na topografia. O asfaltamento da rua inclusive foi incluído no pacote do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, do governo federal, mas no momento não há recursos em decorrência da crise.

O Coordenador Municipal do Secretariado, Klaus Werner Schnack, comenta que além de acordos com as empresas e particulares proprietários das áreas, é necessário dar condições de trafegabilidade por meio de pavimentações. Segundo ele, há emendas parlamentares previstas para a localidade e a contrapartida do município vai depender das prioridades orçamentárias. “Tendo dinheiro tudo é possível. Hoje a travessa Pedro Schweizer já carece de manutenção”, observa.

A obra de prolongamento na rua Alagoas engloba uma contenção de encosta no arroio Grande.

Por daiane