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Agricultura

Limites para importação de leite em pó

14 de agosto de 2015 às 6h00

As entidades que estão vinculadas à atividade de produção de leite, especialmente no Rio Grande do Sul, mobilizam-se para que o governo federal estabeleça limites para a importação de leite em pó de outros países vizinhos.

Nos primeiros seis meses deste ano, a importação de leite do Uruguai cresceu 199% em relação aos mesmos períodos desde 2011 até 2014, não se considerando o volume ou a quantidade efetivamente adquirida.

Este fato chama a atenção diante da realidade vivida pelas nossas indústrias de laticínios, principalmente as cooperativas, também fabricantes de leite em pó, pois segundo informado elas mantêm estoques significativos que precisariam colocar no mercado, internacional, para equilibrarem as suas atividades.

É uma política estranha, consentida pelo Ministério da Agricultura, pois ao invés de prestigiar e incentivar o produtor nacional, por exemplo no Programa de Combate e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (Procetube), prefere permitir que divisas ou recursos significantes acabem fortalecendo a atividade em outros países. Infelizmente certos acordos comerciais acabam criando esses fatos curiosos e de difícil compreensão. E certamente o produto trazido de fora não é de qualidade superior ao que nós produzimos.

E por falar de produção de leite, nesta sexta-feira acontece uma reunião dos produtores que são credores da Empresa Promilk Laticínios, na cidade de Estrela. Trata-se de um encontro que antecede a assembleia oficial, convocada pela Justiça, a realizar-se no dia 18, terça-feira, para tratar de um plano de recuperação judicial da empresa.

Considerando o expressivo número de produtores de toda a região do Vale do Taquari, as entidades sindicais, representativas dos agricultores, salientam a necessidade de todos os interessados ou envolvidos comparecerem aos dois encontros anunciados.

NA ESPERA DE UM DECRETO PRESIDENCIAL

Na grande mobilização realizada nesta semana, em Brasília, na “Marcha das Margaridas”, em que a força feminina da agricultura familiar assumiu a bandeira da reforma agrária e eficiência do crédito fundiário, uma cobrança incisiva foi a publicação de um Decreto da Presidência da República, com as anunciadas mudanças no programa de aquisição de terras, através de uma linha de financiamento.

Em junho, quando o governo divulgou o Plano Safra 2015-2016, anunciou que em 30 dias publicaria novas regras do Crédito Fundiário. Como isso não aconteceu, é justificada a reação dos agricultores, que aguardam a elevação do limite da renda bruta anual para a habilitação, bem como o teto de financiamento que é hoje de 80 mil reais, quando o postulado é de 140 mil reais e ainda a manutenção da taxa de juros em 2% por ano, mantendo o rebate de 20%, além da limitação do patrimônio do contemplado, que atualmente não pode ser superior a 100 mil reais.

COMÉRCIO DE MÁQUINAS RETRAÍDO

A queda de 25,1% na venda de máquinas agrícolas no primeiro semestre deste ano caracteriza o momento como sendo o pior desde 2009. Soma-se a este dado estatístico a evolução dos preços dos fertilizantes químicos que variam entre 20% a 30% em um ano. E neste contexto, a constatação de que a variação do dólar no último mês de julho alcançou uma elevação de 10,16% que é a maior cotação nos últimos 12 anos. E temos as contas de consumo de energia elétrica com aumentos assustadores, causando um mal-estar geral. Há os que prenunciam para logo mais novos aumentos dos combustíveis e de todos os insumos que compõem o “custo de produção”, nas atividades agropecuárias.

Em que pese a expectativa de uma nova safra de grãos recorde, no país, dificilmente esse otimismo se confirmará. Pois se os preços dos produtos comercializados pelos produtores estão praticamente inalterados há um ano, o agricultor não reúne energia para investir mais e receber menos.

Por daiane