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Governo estadual parcela salários e servidores reduzem carga de trabalho

, 7 de agosto de 2015 às 9h28

A semana começou tensa no Rio Grande do Sul. O anúncio do parcelamento dos salários do poder Executivo – ativos e inativos – feito na sexta-feira pelo secretário da Fazenda do Estado, Giovani Feltes, trouxe indignação e revolta. No final de semana as categorias atingidas já anunciavam uma paralisação na segunda-feira, o que de fato ocorreu.

Descontentes com o pagamento do salário em três parcelas – a primeira de R$ 2150, paga na sexta-feira, a segunda de R$ 1 mil projetada para o dia 13 e o restante no dia 25 de agosto – servidores protestaram em todo o Estado. Policiais civis e da Brigada Militar da região realizaram uma manifestação em frente ao quartel da BM, no Centro de Lajeado na segunda-feira à tarde.

Em Arroio do Meio o trabalho da Brigada Militar continua normal, segundo o comandante, o Capitão Eduardo Senter. Mesmo considerando o parcelamento dos salários um desrespeito por parte do governo, Senter diz que a BM pensa na sociedade, no coletivo e por isso todo o efetivo da Companhia está trabalhando normalmente.

Já na Polícia Civil, o quadro é diferente. Na segunda-feira os servidores paralisaram as atividades e, no decorrer da semana, são feitos apenas atendimentos de urgência, Maria da Penha e flagrantes. O delegado João Selig classificou o parcelamento como um desestímulo ao trabalho da classe. “Que ânimo vamos ter para ir para a rua, se a preocupação está voltada para o pagamento das contas? A cabeça tem que estar focada no trabalho, mas assim não tem como”, afirma Selig considerando injusto o parcelamento dos salários apenas do poder Executivo. Servidor do Estado desde 1971, diz que é a primeira vez que tem o salário parcelado.

Os agentes penitenciários que atuam no Presídio Estadual de Arroio do Meio também fizeram uma mobilização na segunda-feira, mas não paralisaram ou reduziram a carga de trabalho no decorrer da semana. A administradora da casa prisional, Andréa Minozzo Pires diz que a categoria procura fazer o trabalho da melhor forma, mas considera injusto o parcelamento do salário. “É complicado. Todos têm compromissos para atender, contas a pagar. Muitas contas são debitadas automaticamente e quem vai pagar os juros altos somos nós”, afirma.

Guararapes reduz período letivo

Indignados com a decisão do governo estadual de parcelar os salários de julho, os professores e funcionários da Escola Estadual Guararapes decidiram paralisar as atividades nesta segunda-feira. Os alunos foram liberados, mediante autorização dos responsáveis. Na terça-feira as aulas foram retomadas e seguem com o turno letivo reduzido, com os alunos sendo dispensados no último período. Os alunos só podem sair da escola se apresentarem autorização dos pais ou responsáveis. “Ninguém espera ter o salário parcelado. Num primeiro momento se opta pela não greve e sentimos que a comunidade entendeu e apoia a nossa posição”, afirma a diretora Silvana Saldanha Martins Hanke, ressaltando que o direito dos alunos também foi levado em consideração na hora de decidir que postura os professores e funcionários teriam. Ela acredita que a questão financeira não vai influenciar no desempenho dos professores em sala de aula, já que a equipe é comprometida com o trabalho.

Ainda não há nada definido em relação à próxima semana. Uma nova posição dos professores pode ser tomada no dia 18, quando o sindicato da categoria fará grande mobilização em Porto Alegre.

Em nota distribuída à imprensa, a equipe da escola coloca que não está indiferente aos problemas financeiros do Estado, mas não se sente obrigada a arcar com o ônus desta situação.

“Devido a sucessivas decisões que deixaram o ensino público estadual em situação de penúria, entre elas o não pagamento do piso salarial, o sucateamento do Ipê, a falta de clareza no quadro de promoções de professores e funcionários, culminando com o parcelamento salarial, julgamos justo apoiar esta manifestação de repúdio e insatisfação ao fato de o funcionalismo ser, além de penalizado, considerado responsável pela crise financeira gerada por más administrações repetitivas dos governos. Esclarecemos também que muitos não foram atingidos pelo parcelamento pelo fato de receberem menos que o valor estipulado, mas receosos de futuros cortes promovidos pelo Executivo, consideraram procedente o apoio aos colegas atingidos pela medida arbitrária”, diz a nota.

Por daiane