Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 19 de Outubro de 2019

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Cultura

Uma viagem de três anos pelo mundo

, 19 de junho de 2015 às 9h43

Arroio do Meio recebe na próxima quinta-feira, dia 25, a palestra O relato de uma viagem de três anos pelo mundo. O evento que inicia às 19h30min ocorre no salão da Comunidade Luterana São Paulo e contará com a presença de Thiago Berto que irá falar sobre sua experiência de voluntariado em países como Butão e Peru.

Além disso, irá abordar suas reflexões e aprendizados tendo como cenário o Caminho de Santiago de Compostela e a travessia do Vietnã de norte a sul com uma moto de 125 cc. A entrada para o evento é gratuita. A doação de 1kg de alimento não perecível é bem-vinda para ser repassada à instituições sociais de Arroio do Meio.

 A realização de um sonho

Em sua palestra, Thiago irá falar sobre a viagem de moto atravessando as américas, do Alasca ao Uruguai, visitando projetos de educação alternativa e comunidades sustentáveis. A aventura durou três anos e proporcionou a ele um momento ímpar de aprendizado, autoconhecimento e de repensar o modo de vida.

Um dos principais resultados da viagem é a criação de uma escola alternativa de educação para crianças, a qual ele está construindo em Guaporé. A intenção é criar uma educação totalmente suportada e envolvida pela comunidade ecológica. Mais detalhes sobre a aventura, podem ser conferidos na entrevista a seguir.

AT – Quem é o Thiago Berto de hoje e quem era antes da viagem?

Thiago Berto – Sigo um espírito que está aqui para aprender, a cada dia, a cada experiência.

A viagem foi além de tudo, interna, e me permitiu conhecer mais de meus verdadeiros sonhos, missão, e o que tem valor para mim.

AT – Porque embarcou literalmente nessa viagem?

Thiago – Sempre senti desde criança e adolescente, que a vida não podia se resumir aos padrões e modelos que eram mostrados sempre para mim. Fui um jovem questionador, me fechava em meu mundo, observando esse mundo e perguntando sempre “porque?”. Por que passamos oito ou mais horas em uma empresa? Por que tanto tempo estudando na escola coisas que não precisamos? Por que achar que a felicidade vem de comprar coisas? Isso sempre esteve em mim, e chegou um momento que decidi fazer algo diferente, arriscar, me conhecer melhor para então entender essas perguntas que sempre fazia. Resolvi ir morar como voluntário no Butão, um país maravilhoso no Himalaia, e a partir dali minha viagem interna começou.

AT – Qual foi o maior aprendizado disso tudo?

Thiago – De que não há vitimas nem opressores em nossa vida. Somos os responsáveis pela direção de nossa história. Ninguém é culpado por nossas frustrações ou problemas. Nós somos os mestres e diretores de nossa vida.

AT – Qual foi o maior desafio nestes três anos e qual foi o lugar que mais te surpreendeu e porque?

Thiago – Decidi conscientemente viver muitos desafios, como a travessia de moto do Alasca até o Uruguai, como cruzar a Espanha caminhando 850km e também minha jornada pelo Vietnã de moto. Todas essas aventuras proporcionaram um contato com minhas emoções. Viver o medo, a angústia, a raiva. A maneira simples e sem luxos que escolhi viajar facilitou essas incertezas do caminho. E viver essas emoções foi importante para me conhecer melhor. Houve lugares que me surpreendi por diferentes razões. O estilo de vida dos cubanos e do povo do Butão. As belezas naturais da Islândia, Croácia e Malta. Os contrastes sociais da Índia e Nepal. Tenho muitas lembranças lindas, e elas hoje são meu patrimônio.

AT – O que as pessoas que vão à palestra vão ver e porque devem ir?

Thiago – Quem for à palestra terá um momento de paz, de conexão consigo mesmo. Eu sou uma ferramenta, um amigo irmão que está ali passando carinho em palavras. Acredito que encontros assim já estão marcados desde muito tempo e em outras dimensões. Quem for, já sabe há muito tempo que deveria ir. E tudo está perfeito!

Por daiane