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Agricultura

Trigo, cultura tradicional que perde espaço

30 de abril de 2015 às 8h48

Ao se aproximar o período de plantio do trigo, a Emater/RS lança uma projeção nada animadora para a cultura, com vistas à próxima safra. O Estado deve reduzir em aproximadamente 20% a área plantada, ou seja, serão mais de 200 mil hectares de terras que mudam, a partir de agora, as suas características, sendo, possivelmente, ocupados com pastagens ou até mesmo ficando ociosos no período de inverno.

Tradicionalmente o Rio Grande do Sul era um destacado produtor de trigo, por um longo período considerado como sendo o “celeiro” do Brasil, dada a importância do cereal, utilizado como principal item na alimentação humana.

Na medida em que as políticas governamentais em relação à cultura do trigo foram mudando, como por exemplo, a substituição de cultivares ou espécies e os compromissos com outros países produtores, como ainda a proibição de operação dos antigos “moinhos coloniais”, o produto ficou sob controle do Estado, sendo os seus preços tratados com interesses. O desestímulo foi aumentando, a ponto de hoje, por exemplo, na nossa região, a produção ser destinada, em grande parte, para o trato de animais, em forma de rações.

Os custos de produção, elevados, o desinteresse oficial em investir em tecnologias adequadas e os preços do produto praticados no mercado interno, causam o presente momento de estimativas frustrantes. Em contrapartida, o consumidor passa a assumir uma conta cada vez mais “salgada”, desde o custo da farinha e de todos os produtos derivados, representados pelo pão francês (cacetinho), cujo preço foge do nosso controle, pois aumenta com uma intensidade, que não nos permite avaliar e dimensionar.

Admitida a fraude do Pronaf

É possível e necessário lembrar a ênfase dada, no final de 2014, às denúncias de ocorrência de fraudes ou desvios de recursos do Pronaf, em municípios situados na região de Santa Cruz do Sul.

Aconteceram investigações e apurações, afastamentos temporários de funcionários de agências do Banco do Brasil e comentava-se o envolvimento de uma entidade, Associação Santa-cruzense dos Agricultores Campesinos – ASPAC, que teria intermediado em torno de seis mil contratos de financiamentos no período de 2006 a 2013, dizendo respeito a agricultores familiares.

Manifestações de agricultores davam conta de que em seus nomes surgiram dívidas, mesmo que não tivessem buscado dinheiro. Há os que dizem que receberam determinados valores, mas os que constam nos seus contratos nos bancos, são diferentes, maiores.

Surge agora a informação de que membros da direção do Banco do Brasil, do setor de agronegócio, estão confirmando que aconteceram desvios de recursos que podem alcançar o valor de 88,8 milhões de reais. Para quem foi todo esse dinheiro?

Sabe-se e reconhece-se que o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Proanf, é um importante instrumento de desenvolvimento da produção na pequena propriedade agrícola. A maior parte dos recursos destinados é bem utilizada, produzindo resultados. Imagina-se, assim, que esse fato mencionado deve ser cercado, apurado em profundidade e os que praticaram desvios, devidamente identificados e levados a devolverem todo o dinheiro obtido ilicitamente, respondendo inclusive pelos danos morais e psicológicos que causaram a um grande número de agricultores honrados e responsáveis.

Por daiane