Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 23 de Agosto de 2019

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Economia

Caminhoneiros ainda resistem ao acordo

, 27 de fevereiro de 2015 às 9h12

Brasil – A semana foi marcada por manifestações dos caminhoneiros nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e parte do Nordeste do país. Porém, a principal reivindicação – a redução do preço do óleo diesel – não foi atendida pelo governo. A única garantia foi que a Petrobras congelará preço do diesel nos próximos seis meses.

Encabeçada por autônomos, a mobilização iniciou em 13 de fevereiro no Paraná, chegou a Santa Catarina, e se espalhou pelo país, a exemplo dos protestos de junho de 2013, e não tem prazo para terminar.

A paralisação já está causando efeitos nos estoques e preços do varejo, especialmente nos combustíveis e supermercados, atingindo a distribuição de insumos e fornecimento de matéria prima da suinocultura, avicultura, lacticínios e hortifrutigranjeiros, e exportação.

No Vale do Taquari não está sendo diferente. Até a manhã de ontem (26) havia o registro de manifestos em dez trechos de rodovias que interligam a região, conforme informações da Polícia Rodoviária Federal e Comando Rodoviário da Brigada Militar.

Na BR-386, os atos se concentravam entre os kms 243 e 245, em Soledade, no km 268, em Fontoura Xavier, no km 424 da BR-386, junto ao Paradouro 22, em Montenegro, no sentido Capital. Também havia protestos no km 62 da ERS-332, em Arvorezinha, no km 01 da ERS-436, em Taquari, km 78 da RSC-287, em Venâncio Aires, junto ao Posto Chama – sentido interior –, no km 65 da ERS-129, no trevo de Muçum, no km 10 da RSC-453, no trevo de Linha Palanque, em Venâncio Aires, e no km 02 da 453, no acesso ao Distrito Industrial, também em Venâncio, e na Rota do Sol em Carlos Barbosa.

Nos locais, caminhões são parados e há liberação de ônibus, veículos de passeio e de emergência, com intervenções esporádicas.

Liberação é incerta

Apesar do acordo do governo, sindicatos e associações, e da promessa da sanção da Leis dos Caminhoneiros de forma integral, a liberação das rodovias é incerta, pois o movimento foi levantado de forma independente. Além do diesel, a categoria reivindica o aumento do valor do frete que estaria estagnado há mais de seis anos.

O presidente da Vale Log de Arroio do Meio, Adelar Steffler, tem posicionamento neutro a respeito das manifestações. Revela que há outras maneiras de negociar reivindicações, mas reconhece que o aumento abusivo da tributação sobre o combustível, está inviabilizando o setor, “a categoria não está conseguindo pagar as prestações dos investimentos”, o que consequentemente afetará a produção nas indústrias.

Steffler, porém, ressalva que outras classes também estão aderindo a greve devido a insatisfação generalizada com o governo.

Veja os pontos do acordo:

1 – Sanção integral da nova Lei do Caminhoneiro;

2 – Isenção de pagamento de pedágio para o eixo suspenso de caminhões vazios;

3 – Aumento do valor da estada, de R$ 1 para R$ 1,38 por tonelada/hora, calculada sobre a capacidade total de carga do veículo, e valor este que será atualizado todos os anos pelo INPC;

4 – Obrigatoriedade do embarcador ou destinatário da carga de fornecer documento hábil para a comprovação do horário de chegada do caminhão, sujeito a multa de 5% sobre o valor da carga;

5 – Tolerância do peso bruto total de 5%, e de peso por eixo de 10%, além de perdão das multas por excesso de peso expedidas nos últimos dois anos;

6 – Responsabilização do embarcador pelos prejuízos decorrentes do excesso de peso e transbordo da carga com excesso;

7 – Inclusão de obrigação do governo de instalar e incentivar pontos de paradas, mediante cessão de áreas públicas;

8 – Carência de 1 ano para pagamento das parcelas de financiamento de caminhões dos contratos em vigor de transportadores rodoviários autônomos e microempresas dos programas Pró-caminhoneiro e Finame;

9 – Elaboração de tabela referencial de fretes pelas entidades representativas dos caminhoneiros e das transportadoras com os embarcadores, tendo mediação do Ministério dos Transportes, com a primeira reunião a ser realizada em 10 de março;

10 – Compromisso da Petrobras de não realizar, pelos próximos 6 meses, reajuste no preço do diesel;

11 – Compromisso da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) de melhorar o resultado dos fretes dos caminhoneiros a níveis satisfatórios.

Impacto na produção

De acordo com a direção da Dália Alimentos, já foram registrados problemas de abastecimento na fábrica de rações e existe a previsão de começar a faltar farelo de soja. Com isso, não haverá produção e faltará alimento para os animais no campo.

A paralisação também está afetando o setor de recebimento de leite, bem como a saída de caminhões carregados com produtos lácteos e frigoríficos (cortes, embutidos). Um dos problemas a serem enfrentados, caso a greve prossiga, está na estocagem do produto.

Conforme a direção da Dália Alimentos, não existe espaço para realizar o estoque por mais de três dias o que, caso a paralisação continue, ocasionará a interrupção da produção. Matéria-prima e embalagens também não estão chegando à empresa, ocasionando problemas na escala de produção. Ainda não foram estimados os prejuízos.

Já o estacionamento da BRF Foods no bairro Aimoré, que geralmente está superlotado em épocas de safra, gerando transtornos nas imediações, estava praticamente vazio. Na manhã de ontem a direção regional da empresa realizava uma reunião em Lajeado para definir as primeiras medidas referente a possíveis readequações nas linhas de produção.

Abastecimento – Ainda na manhã de ontem pelo menos dois postos de combustíveis já estavam sem gasolina em Arroio do Meio. Outros, no município e microrregião, estavam com estoque ameaçado, a espera do fornecimento a qualquer momento.

Por daiane