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Política

Sartori renuncia aumento após pressão popular

, 26 de janeiro de 2015 às 7h00

Rio Grande do Sul – No início da semana o governador José Ivo Sartori e o vice, José Paulo Cairoli, abriram mão do aumento no salário. A decisão ocorreu por causa da reação da sociedade frente a sanção do Projeto Legislativo na semana passada.

Com isso, os vencimentos do governador permanecem em R$ 17,3 mil, em vez dos R$ 25,3 mil previsto pela lei. O vice continua recebendo R$ 11,5 mil (sendo que o estabelecido pelo projeto era de R$ 18,9 mil).

A medida não afeta reajustes para os demais cargos, como secretários de Estado, deputados, procuradores, desembargadores do Tribunal de Justiça, conselheiros do Tribunal de Contas e juízes do Tribunal de Justiça Militar. Entretanto alguns secretários de Estado e deputados seguiram o exemplo do chefe do Executivo.

O veto só não foi feito para não prejudicar a harmonia entre os três poderes, pois há 8 anos não ocorreram mais reajustes. Tarso Genro também abdicou do aumento para ele, seu vice e secretários. Ele também se absteve de decidir a respeito de projeto que estabeleceu aposentadoria especial no valor de R$ 20 mil para os deputados estaduais. O projeto foi sancionado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Gilmar Sossela (PDT).

Com a renúncia do reajuste, o salário dos prefeitos de quatro das cinco maiores cidades do Vale, supera o salário de Sartori.

Deputados deveriam receber menos e ter corte nos benefícios”

Professora de carreira do Estado há 25 anos e advogada, Elda Theves, opina que Sartori não deveria ter voltado atrás da decisão. “Os reajustes são normais. Ele só renunciou em função da repercussão na opinião pública e porque quer mostrar que será severo quanto a retenção de despesas. R$ 25,3 mil seriam mais do que justos se compararmos a responsabilidade de gerir o Estado. Acho que o salário do prefeito Sidnei Eckert também é justo, pois prefeitos e governadores estão à disposição da comunidade 24 horas por dia. O governador poderia receber ainda mais. Há profissionais em outros setores menos relevantes que são melhor remunerados – jogadores de futebol e modelo – o que é um absurdo. Entretanto o salário dos deputados é alto demais, pois o compromisso com a comunidade é inferior do que o dos prefeitos, além de receberem benefícios desnecessários, com assessores pagos pelos contribuintes.

“Povo tem pouco poder de participação”

Na opinião do empresário Odécio Petter, a política está viciada e o povo tem pouco poder de participação nas decisões, “eles mesmo votam suas propostas”. Petter concorda que os cargos políticos são de alta responsabilidade, mas ao mesmo tempo avalia que os salários estão muito acima dos pagos na iniciativa privada. Sobre a decisão de Sartori de voltar atrás foi enfático, “ficou ruim, mas melhor admitir o erro e pedir mais um voto de confiança”, deferiu.

“Salários deveriam ter sido incluídos na moratória de 180 dias”

Já para o radialista Ricardo Dreher faltou transparência na transição de governo, pois o projeto deveria ter sido enviado por Tarso Genro. “Será que ele realmente sabia da situação financeira antes de assumir o governo?”, questiona. Para o comunicador, Sartori errou ao não decretar moratória de 180 dias para os salários assim como fez com pagamento aos fornecedores, como questão de bom senso empresarial. “Ele deveria ter vetado, mas acertou ao voltar atrás”, diz. Dreher preferiu não qualificar o valor da remuneração nos municípios, pois algumas práticas adotadas em cooperativas e associações também seriam questionáveis. Observa também que os chefes do Executivo e secretários precisam estar à disposição da comunidade em tempo integral, abrindo a mão de carreiras e negócios, o que não ocorre no legislativo.

“Remuneração é desproporcional com a realidade dos trabalhadores”

Para gerente Karine Graeff a atitude do governador de voltar atrás foi correta, “os salários deles são imensos comparados aos dos aposentados que normalmente ganham um salário mínimo e já não conseguem ingressar em empresas para trabalhar”, verifica.

Por daiane