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Cultura

Explorando as riquezas da América do Sul

, 16 de janeiro de 2015 às 8h58

Desde 04 de janeiro, quatro amigos – entre eles o arroio-meense Alexandre Schmidt – partiu do Vale do Taquari para explorar as regiões da Patagônia e Terra do Fogo até Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo. Serão 30 dias de viagem e mais de 12 mil quilômetros percorridos a bordo de um Land Rover Defender 110.

Denominada de Rica América, a expedição tem como objetivo conhecer e retratar as riquezas naturais e culturais, por vezes esquecidas ou menosprezadas do continente americano, em especial da América do Sul. Dos 30 dias de duração, vários serão destinados a trekkings. Entre eles: 2 dias para o trekking de 22km no Cerro Tronador, em Bariloche; 1 dia para o trekking de 20km no Cerro Frey/Cerro Catedral, em Bariloche; 8 dias para o famoso Circuito O+W, um trekking de mais de 100km no Parque Nacional Torres Del Paine, no Chile.

Participam da aventura o arroio-meense Alexandre Heitor Schmidt (Xande), engenheiro da computação e baterista da banda Coisa Feita. Ele sonha em viajar para adquirir experiência e conhecer a diversidade do mundo que, segundo ele, “fica muito limitada quando nos fixamos num único local”. Carolina Alberton Leipnitz, apaixonada por fotografia e fotógrafa profissional, foi quem batizou a expedição de Rica América. Sua ideia tem origem nas viagens que fez pelo norte da América do Sul, durante as quais pode perceber a quantidade de riquezas que o continente sul-americano possui. Frederico Schardong, idealizador da expedição é profissional da área da Tecnologia da Informação. Escolheu passar seus 30 dias de férias ao lado de três quase estranhos. Fred não mediu esforços para testar todo o equipamento necessário, bem como consultar roteiros, atrações, fotos e curiosidades sobre todos os locais por onde passará a expedição. Gilmar Leipnitz, o popular Folhinha (como é conhecido por manter viva a receita da melhor Mil Folhas que se tem notícia) é um apaixonado pelas terras argentinas, seja pelo vinho, pela culinária, pelas belezas naturais, pelo povo ou pelo clima.

Conforme Carolina, a ideia da viagem surgiu do convite de Frederico, amigo de Alexandre. “Ele tinha uma ideia inicial de fazer uma viagem para o sul da Argentina, onde existe uma infinidade de parques nacionais e onde seria possível fazer diversos trekking.” Ela conta que a proposta foi aceita prontamente, mesmo sabendo de todo o planejamento que uma viagem dessas envolve. “A partir daí, passamos a detalhar o roteiro feito por meio de encontros virtuais e presenciais. Nos preparamos o máximo possível antes de partir, mesmo cientes de que, por mais que preparemos, nunca conseguimos pensar em tudo”.

Expedição Rica América é apresentada em fotos

O grupo entrou na Argentina por Uruguaiana/Paso de los libres e seguiu até Rosário, onde passou a noite após mais de 1.500 quilômetros percorridos em um único dia. Na sequência, mais 1.500 quilômetros até a cidade de Neuquén, onde passou a segunda noite. No dia seguinte, seguiu até Bariloche, onde finalmente tiveram início as atividades de trekkings. Conforme Carolina, devido ao cronograma apertado para uma viagem dessa magnitude, se passa muito tempo na estrada e não há tempo para conhecer bem as cidades. “Em muitos locais, ficamos somente uma noite. O que mais conhecemos até o momento foi Bariloche”.

Entre os lugares visitados até o momento, o que mais impressionou o grupo foi o Cerro Tronador (Bariloche), onde foi realizado um trekking de dois dias até o Refúgio Otto Meiling, que fica a 1.885m de altitude. “Nenhum de nós tinha a real noção do que encontraríamos, e foi tudo grandioso. Subir a montanha, passar por bosques, partes muito íngremes, neve em pleno verão e o barulho poderoso das geleiras que se partem nesta época de degelo foram vivências incríveis. Foram momentos de muita emoção e superação pessoal e emocional”, conta a fotógrafa.

Parte desse espírito aventureiro de Carolina é herança de família, já que seu pai também participa da expedição. “Meu pai sempre gostou de viajar, conhecer pessoas e lugares. A curiosidade e o leque nos pés vem daí. Pra mim, é uma grande felicidade poder realizar esta viagem com ele. Em 2011, viajei com minha mãe a Machu Picchu, que era o sonho dela. Agora, creio que precisamos viajar todos juntos”.

Um dos objetivos da expedição está a possiblidade de transformá-la em uma exposição fotográfica. Para a fotógrafa, esse detalhe foi o que mais a motivou para participar da aventura, exemplo do que ocorreu em 2011 quando viajou para a Bolívia e Peru, quando surgiu o nome Rica América.

Em relação a experiência, Carolina diz estar encantada com muita coisa, mas lamenta o roteiro apertado para isto. “Não conseguimos tanto aprofundamento quanto queríamos, mas ontem (domingo), por exemplo, tivemos uma experiência incrível em Perito Moreno. Buscávamos uma pousada (devido ao frio e vento), mas acabamos ficando em um camping. Foi uma imersão maravilhosa. Conhecemos Raúl, dono do camping, que nos recebeu com um coração enorme. Cozinhou milanesas para nós, com temperos da sua própria horta, orgulhosamente apresentada como 100% orgânica. Prometi a ele que voltaria com mais tempo para ouvir suas histórias, agora fico devendo. Estamos interagindo com pessoas de todas as partes do mundo, principalmente adeptos de esportes outdoor, como escalada, trekking, mountain bike e muitos outros. É impressionante como esta região atrai amantes da natureza e pessoas que a respeitam”.

Aos interessados em saber os próximos capítulos dessa viagem, podem acompanhar o grupo por meio da página no Facebook, https://www.facebook.com/viagemricaamerica.

Por daiane