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Ciclistas podem ganhar espaço nas rodovias

, 25 de outubro de 2014 às 9h30

Vale do Taquari – Municípios interligados por rodovias idealizam a construção de ciclovias às margens da estrada, facilitando o trânsito de bicicletas. A convite do prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt, representantes dos municípios de Arroio do Meio, Colinas, Estrela, Santa Clara do Sul e Cruzeiro do Sul se reuniram na sexta-feira, dia 17, na sede da Amvat com integrantes da Associação PedaLajeado, o diretor técnico da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), Manoel Freitas, e a gerente de Faixas de Domínio da empresa, arquiteta Giovana Becker para discutir o assunto.

O primeiro contato ocorreu entre a Administração de Lajeado, PedaLajeado e Dnit, em Porto Alegre. A ideia inicial era ligar Estrela e Lajeado. Na reunião de quarta-feira incluíram-se os demais municípios que se interligam. Na ocasião a EGR se mostrou favorável à ideia, porém disse que nada pode ser feito antes de haver um projeto a fim de se estudar custos e viabilidade da obra.

Vice-presidente da PedaLajeado, Carlos Fernando Kieling comenta que o potencial turístico da região é enorme e que no momento em que os ciclistas tiverem melhores acessos, esse âmbito será melhor explorado. Kieling completa que se houvesse acostamento em boas condições, mais pessoas se habilitariam a pedalar. Cita o caso de Cruzeiro do Sul, onde foi tirado esse espaço para fazer o acesso a alguns bairros. “Na visão do ciclista é um crime. Para começar, tem que parar de roubar nosso acostamento.”

Freitas, da EGR, explicou que a empresa já recebeu as estradas sem acostamento e ressaltou o quão perigoso é transitar à beira da rodovia. “O ideal é ter ciclovia separada por canteiros”, avalia.

Outra situação semelhante foi apontada pelo prefeito de Colinas, Irineu Horst, cidade que atrai cerca de 50 ciclistas ao dia e não oferece acostamento. “Eles andam se arriscando em meio aos carros”, diz. “Já verificamos, o investimento em ciclovia dá 1/5 do valor que daria para ampliar a via”, informa.

No mínimo, 60km por dia

O bancário Diogo da Silva dos Santos, 26 anos, morador de Arroio do Meio, pedala pela rodovia diariamente, exceto quando chove, treinando para competições de ciclismo. Sai do Centro da cidade depois das 16h e segue em direção a Lajeado ou a Encantado, percorrendo 60 a 80 quilômetros por dia. Volta quando já é noite.

Santos está há mais de oito anos envolvido com o ciclismo e neste ano retornou às competições. “Neste tempo acompanhei o crescimento gradual da frota e é visível que a rodovia está saturada, ultrapassando mais de seis mil veículos por dia, numa pista simples e sem transposições viárias.”

Neste fluxo também circulam muitos pedestres e ciclistas. Observa que o grande problema está no desrespeito do maior com o menor que nela transita, não dando a este a preferência quando lhe é permitida. “Todo dia é um desafio, uma nova buzinada, um novo “fininho”, que nós do esporte acabamos nos acostumando, pois no Brasil o atleta tem de se acostumar na marra com essas situações.”

Santos considera a implantação de uma ciclovia importantíssima. “Acredito que os maiores beneficiados seriam os que se deslocam ao trabalho de bicicleta, e estes não são poucos, pois temos grandes indústrias ao longo do trajeto.” Aponta que muitos transitam na madrugada, ficando vulneráveis a um motorista em alta velocidade ou embriagado. “Com isso, muitos se desencorajam a seguir pedalando, contribuindo para essa aglomeração de motores nas horas de pico, muitos para se deslocarem menos de cinco quilômetros.” Cita como exemplo cidades do Vale do Paranhana, onde muitos vão ao trabalho de bicicleta e várias ciclovias já estão em uso.

Ele destaca que o ideal para a rodovia seria a ciclovia, que possui uma barreira entre o fluxo de veículos e de bicicletas, e não as ciclofaixas que são pintadas na lateral de uma pista, não havendo barreira alguma, podendo o motorista invadir com facilidade.

Próxima etapa

Conforme Freitas, o uso da rodovia por bicicletas esbarra na questão técnica, pois é uma via para tráfego rápido. “Dá para projetar a ciclovia no perímetro urbano.” Ele reforça que o primeiro passo é criar um projeto a ser apresentado aos órgãos competentes. “Precisa de algo formal, não adianta dizer que a EGR tem que fazer e ponto.”

Os prefeitos Schmidt, de Lajeado; Horst, de Colinas; Cesar Leandro Marmitt, de Cruzeiro do Sul; Fabiano Immich, de Santa Clara do Sul e os vice-prefeitos Áurio Scherer, de Arroio do Meio, e Valmor Griebeler, de Estrela, assinaram um ofício que foi encaminhado à Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra) destacando a importância da obra frente à logística entre estas cidades e o potencial turístico. Pelo documento, as autoridades municipais solicitam uma nova reunião com a presença da Seinfra, Daer, Dnit e EGR.

A equipe da EGR sugeriu que os municípios envolvessem o Corepe, pois em Rolante foi aprovado o projeto de 3,5 quilômetros de ciclovia encaminhado por meio do órgão e prefeitura. A nova reunião ainda não tem data definida.

Por daiane