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Jornal da Semana
Cultura

“O homem se vê nas histórias que ouve e conta”

, 30 de agosto de 2013 às 6h00

Domingo abre oficialmente a XXIII Feira do Livro de Arroio do Meio. Até o dia 05 de setembro os alunos das três redes de ensino do município e comunidade tem um compromisso e oportunidade com a leitura.

Durante a realização da feira, os estudantes dos Anos Finais e Ensino Médio terão uma conversa especial com a escritora Rosane Castro, através da programação do Escritor Presente. Será um momento de diálogo e conversa com os alunos. Será a segunda vez que Rosane retorna a Arroio do Meio. No período de 13 a 16 de agosto ela conversou com os alunos da Educação Infantil e Anos Iniciais.

Natural de Cachoeirinha, a escritora, atriz, arte-educadora e contadora de histórias em entrevista ao AT, fala sobre seu trabalho e projetos de incentivo a leitura.

AT – O que a motivou a ser escritora?

Rosane Castro – Trabalhei durante cinco anos na equipe da área infantil da Feira do Livro de Porto Alegre. Também participei, com a equipe da Câmara Rio-Grandense do Livro, das Bienais do Rio de Janeiro e São Paulo, durante sete anos. Era contratada por algumas editoras para contar histórias em eventos. Sou contadora de histórias da Livraria Saraiva há mais de cinco anos. Tenho formação acadêmica em Letras e Literatura da Língua Portuguesa. Acredito que todas essas experiências contribuíram para que eu me tornasse escritora.

AT – De onde vem sua inspiração para escrever?

Rosane – Minha inspiração vem das leituras de mundo que eu faço. Sou muito observadora e analiso tudo à minha volta. Gosto muito de interagir com as pessoas e isso colabora para que eu sempre tenha novas ideias.

AT – És idealizadora do Seminário de Contadores de Histórias Ao Pé do Ouvido. Como você vê a importância desse trabalho para a leitura?

Rosane – O seminário é o momento de debate, troca de experiências e saberes, entre os contadores de histórias e os educadores. Através das contações de histórias estamos oportunizando o encontro do ouvinte com o texto literário. Além de aguçar a imaginação, contribui para despertar o interesse pelo livro e pela leitura.

AT – É um trabalho que se complementa para o incentivo da leitura?

Rosane – Exatamente. Contar histórias, além de ser um ato de afeto, de estímulo à criatividade, de incentivo à leitura, é, também, uma necessidade humana. O homem se vê nas histórias que ouve e conta.

AT – Você já trabalhou com os alunos da Educação Infantil e Anos Iniciais. Durante a Feira do Livro, o trabalho será realizado com os alunos das Séries Finais e Ensino Médio. Há uma diferença de abordagem entre os dois?

Rosane – Há uma abordagem diferenciada no que se refere à linguagem. Mas é preciso desconstruir o mito que ouvir histórias é coisa para criança. Tanto a criança, quanto o jovem e o adulto gostam de ouvir histórias. Utilizo a minha própria história como método de abordagem. Para as crianças eu contei histórias da minha infância, para os jovens vou contar as histórias da minha adolescência. Acredito na importância da aproximação para desenvolver um bom trabalho com os jovens. A partir do vínculo estabelecido, falaremos dos meus textos, dos textos que eles produzem, leituras e literatura.

AT – Qual a importância de eventos como a CulturArtchê?

Rosane – É fundamental que se invista em projetos que estimulam à criatividade, a arte e a cultura. Promover eventos deste nível é um avanço no que se refere ao acesso aos bens culturais. A CulturArtchê é um evento que promove a ação cidadã na construção de uma cidade mais ativa, mais participativa. Portanto, sua importância ultrapassa os limites escolares, as casas, os espaços de lazer, ganha a comunidade como um todo.

Por daiane