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Social

Compromisso com as cartas de “Loto”

, 23 de agosto de 2013 às 15h00

A segunda-feira é sagrada para oito senhoras da comunidade de Picada Flor, no interior do município de Marques de Souza. Elas se reúnem toda segunda em uma casa diferente para jogarem “Loto”.

Tudo começou em uma brincadeira em 2008, quando a ex-moradora da comunidade, Lorena Schneider reuniu as amigas em sua casa para fazer algo diferente. O jogo virou um vício, e até hoje as amigas se reúnem para dar gargalhadas e colocar as fofocas em dia.

Com o tempo algumas regras foram feitas, o bolo e a bolacha são fundamentais e não podem faltar; e, em vez do chimarrão, bebem água ou chá. O chimarrão foi proibido pela demora e algumas se distraiam durante o jogo, derramando nas cartas.

Durante esses cinco anos, algumas se despediram e outras mulheres entraram no grupo. As senhoras umas mais velhas e outras mais novas, querem manter o jogo por muitos anos. “É uma diversão, contamos os dias para chegar a segunda-feira e nos reunir para dar gargalhada”, revela Silete Willig.

Acilda Malmann, de 74 anos é a mais velha das amigas e não vê dificuldade em andar a pé cerca de dois quilômetros para encontrar as amigas. “Não estou participando desde o começo, mas recebi o convite, fui uma vez e gostei”. Começa a juntar as moedas de 10 centavos durante a semana. “Confiro meu estoque de moedas, para na segunda ter meus R$ 3” ressalta.

Iris Presser, também de 74 anos, deixa o serviço de lado para chegar a tempo na casa das amigas. “Não posso chegar atrasada, porque senão o jogo já começou e eu fico de fora da primeira rodada”, brinca.

A agricultora aposentada também ressalta que o dinheiro ganho durante o jogo não paga o lanche, mas o mais importante é as amigas e as brincadeiras que rolam durante a jogatina. “Queremos diversão, e encontramos o melhor jeito de encontrar isso”.

Mais vitoriosa

As amigas apontam Iria Willig como a integrante que mais faturou no jogo durante esses cinco anos. Ela conta que o maior valor numa tarde foi de R$ 2,70. “Não é grande, mas vale a brincadeira e as risadas dadas durante os jogos”.

A integrante mais novado grupo, Silete, de 44 anos, brinca com as amigas. “Durante todos esses anos jogando, meu marido comprou um trator novo”. A diversão nas tardes de segunda-feira traz o bom humor para todas as participantes do grupo ao longo da semana.

Por daiane