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José Marcelino de Figueiredo fundou Porto Alegre, mas seu nome é quase desconhecido na Capital

21 de junho de 2013 às 15h08

A imagem que ilustra esta matéria por si só já diz quem foi José Marcelino de Figueiredo. Trataremos do assunto ao longo da Portal Mix de hoje.

Mas, agora, farei um rápido passeio no tempo até 25 de outubro de 1732, quando foi concedida a 1ª sesmaria no RS.

Seu beneficiário foi Manuel Gonçalves Ribeiro, que a recebeu do governador da Capitania de São Paulo, Dom Luis Antônio de Távora, Conde de Sarzedas.

Mediria 3 léguas de comprimento e se localizaria em Tramandaí. Neste mesmo ano (1732) estabeleceram-se no RS os 3 primeiros sesmeiros que dariam início ao povoamento e ocupação da Capitania de São Pedro, que 20 anos depois receberia os casais de açorianos (e solteiros também) e anos mais tarde, registraria a chegada de José Marcelino de Figueiredo, já como governador da Capitania (1769).

Os 3 primeiros sesmeiros foram Jerônimo de Ornelas Menezes e Vasconcelos, Sebastião Francisco Chaves e Dionísio Rodrigo Mendes, que receberam suas áreas do governador Conde de Bobadela, General Gomes Freire de Andrada.

A chegada de Jerônimo de Ornelas ao lugar chamado Porto de Viamão, hoje Porto Alegre, deu -se quase ao mesmo tempo em que Francisco Pinto Bandeira chegava às margens do rio Gravataí (Canoas/Sapucaia) e Cristóvão Pereira de Abreu se instalava nas proximidades da Barra do Rio Grande.

Jerônimo de Ornelas decidiu construir sua casa no morro Santana, um pouco antes da hoje divisa de Viamão e Porto Alegre, em local próximo aos fundos da Escola Técnica de Agronomia. É claro que o local, a época, era uma área virgem, extensa e muito bonita, coberta de uma floresta imponente. A sesmaria de Ornelas media “3 léguas de comprido e uma de largo no morro de Santana”, conforme a carta de sesmaria entregue por Dom Luis de Mascarenhas a esse sesmeiro, em 1740.

Mesmo que houvesse a melhor disposição em Ornelas para orientar e ajudar os açorianos, isso não lhe seria pedido nem estava previsto na Carta de Sesmaria.

Em 1760, oito anos depois da chegada dos casais às margens do Guaíba, eles ali permaneceram; defenderam-se como puderam das “surpresas” que iam encontrando e foram, por assim dizer, “salvos” por José Marcelino de Figueiredo, que ali chegaria em 1769, com poderes para recebê-los e dar a eles o prometido pelas autoridades portuguesas, quando do convite feito.

A chegada dos açorianos parece ter sido negativa para Jerônimo de Ornelas. A relação com os recém chegados (1752) “encheu-o de aborrecimentos” que o obrigaram a mudar-se para a Freguesia de Triunfo, em 1757. Em 1760, houve um lamentável incidente-o assassinato de um agricultor por seu filho José Raimundo Dorneles – fato determinante para apressar a venda da sesmaria e sua mudança para Triunfo.

Ao chegar à Capitania de São Pedro (1769) o novo governador José Marcelino de Figueiredo tomou uma série de providências necessárias ao bem-estar dos moradores antigos e dos açorianos, dos quais restavam cerca de 20 casais e algumas crianças aqui nascidas, sendo que os demais haviam se espalhado ao redor de sesmarias regionais, nesta página já relacionadas.

Ocorreu, no seu governo, que a sesmaria de Ornelas, então já em poder de Inácio Francisco de Melo, fosse desapropriada.

A igreja que ilustra a Portal Mix de hoje teve sua obra acompanhada de perto por José Marcelino, obra esta que começou em 1752 e terminou em 1784.

Os prefeitos de Porto Alegre, na segunda metade do século passado, Ildo Meneghetti (1953) e Telmo Thompson Flores (1971) solicitaram informações ao Instituto Histórico e Geográfico do RS, sobre a data de fundação de Porto Alegre e receberam a mesma resposta:

“Porto Alegre foi fundada em 26 de março de 1772, dia em que foi criada a Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, emancipou-se de Viamão, tornou-se uma unidade demográfica, adquiriu personalidade própria e passou a ser um aglomerado humano distinto”.

Quem comandou todos os movimentos ligados a Porto Alegre como a nova Capital?

José Marcelino de Figueiredo que, na próxima Portal Mix terá publicada toda a relação de suas obras e benfeitorias em Porto Alegre e na Capitania, de 1769 a 1780.

Até a 3ª parte desta necessária e muito bem aceita série.

Muito obrigado pelas cartas que incentivam e pelos abraços que aquecem.

Por daiane