Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 21 de Janeiro de 2018

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Agricultura

Grito da Terra e tecnologia

25 de abril de 2013 às 15h20

Os leitores desta coluna lembram que no comentário da semana passada abordei, de uma forma bastante superficial, a presença de tecnologia (sementes modificadas) na produção de sementes de milho e a não inclusão dessas no Programa Estadual do troca-troca.

Sabe-se agora que uma das principais reivindicações que integram o documento oficial do Grito da Terra, deste ano, encaminhado nesta semana ao governo do Estado, refere-se à volta das sementes transgênicas ao troca-troca.

Segundo a Fetag/RS, “pelo menos 50% das 200 mil famílias de agricultores beneficiados pelo Programa, que fornece até três sacas de 20 quilos por CPF, querem usar transgênico”. Dentre os argumentos estão a liberdade de escolha do produtor por tecnologia que garanta produtividade pela resistência à lagarta e o fato que o governo não terá ônus.

Existe no Estado um órgão denominado de Feaper (Fundo Estadual de Apoio a Pequenos Estabelecimentos Rurais), cujo conselho é integrado por entidades privadas e órgãos do Executivo Estadual que deverão decidir esta questão da inclusão ou não de sementes modificadas no troca-troca. No entanto, a opinião do Conselho não significa necessariamente, a decisão final do governo do Estado que costuma valer-se de outros aspectos ou argumentos, inclusive de cunho político ou ideológico.

Em breve teremos uma definição sobre este caso. Mas de antemão sabe-se que haverá, independentemente da decisão, uma forte divergência entre duas correntes, a que é favorável e a contrária, ou a que gostaria de contar com uma tecnologia avançada ou os que entendem que o insumo convencional é o mais indicado, onde a produtividade não chega a ser o fator mais relevante.

Emplacamento de tratores…

Infelizmente estamos mais uma vez diante de um grande problema para o pequeno produtor rural. O Conselho Nacional de Trânsito estabeleceu a data de 1º de junho de 2013, como prazo final para o emplacamento de tratores agrícolas e colheitadeiras, que transitam em vias fora da propriedade.

Estima-se que no Rio Grande do Sul existam cerca de 330 mil tratores sem registro e possivelmente em torno de 6,5 mil estejam devidamente emplacados. A exigência da Carteira de Habilitação, categoria “C” é o primeiro entrave, além da impossibilidade de atender-se aos demais requisitos para que o proprietário faça o registro ou emplacamento. Extintor, luz de freio, farol alto e baixo e pisca-pisca são acessórios que a maioria das máquinas mais antigas não possuem.

Parece que há localidades em que os fiscais de trânsito das rodovias já estão aplicando sanções para os operadores das máquinas agrícolas que não têm a situação regularizada. Além de multas, ocorrem apreensões dos tratores e outras máquinas.

Diferentes entidades, defensoras e representantes dos produtores rurais, tentam mobilizar a categoria para obter uma prorrogação desse prazo e, a partir daí, postular a revogação da medida legal. Interpretam o caso como sendo um risco de desestabilização do pequeno produtor.

Perdas de 1 bilhão

Um estudo revela que por causa de estradas sem condições, de falta de armazéns e a burocracia nos portos, o Rio Grande do Sul deve perder em torno de um bilhão de reais na presente safra de soja. No Brasil todo, o desperdício deve chegar à fantástica soma de 6,6 bilhões de reais, somente neste ano e apenas em relação à cultura da soja. É um caos!

Por daiane