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Comitiva pressiona para Estado incluir obra como prioridade

, 20 de janeiro de 2013 às 10h00

Vale do Taquari – A política de estímulo à compra de veículos, repetida pelo governo federal há dois anos, esbarra na falta de planejamento do governo estadual quanto ao sistema viário. Enquanto a frota gaúcha aumentou 58% entre 2003 e 2012 – passando de 2,36 milhões para 5,34 milhões -, a ampliação das rodovias estaduais segue em ritmo lento.

Iniciada há dois anos, a duplicação dos 70,4 quilômetros das ERS-130, ERS-129 e RSC-453 tem mais um capítulo. Após o pedido de demissão do então secretário de Infraestrutura e Logística (Seinfra), Beto Albuquerque, e do diretor geral do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer), José Francisco Thormann, as autoridades do Vale do Taquari se mobilizaram, mais uma vez, para pedir que a obra não seja esquecida.

Sob o ditado de “quem não é visto, não é lembrado”, o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), Oreno Ardêmio Heineck, reuniu uma comitiva com 20 lideres na última sexta-feira. O grupo foi a Porto Alegre, se reunir com os novos comandantes da Seinfra e do setor de Gestão e Projetos do Daer, Caleb de Oliveira e Luiz Carlos Karnokowski, em conjunto com o governador em exercício, o deputado Alexandre Postal.

Heineck apresentou os dados referentes à rodovia, enaltecendo a necessidade de duplicação. Entre 2010 e 2011, aconteceram 358 acidentes, resultando em oito mortes e ferindo outras 172 pessoas. Para o presidente da CIC-VT, foi dado mais um passo para que a obra seja incluída no cronograma de prioridades do Estado.

Ano passado, Tarso Genro sinalizou com esta possibilidade, mas pediu a cooperação regional. Para agilizar o processo, os sete municípios à beira da estrada – que liga Venâncio Aires a Muçum – se comprometeram a repassar R$ 12 mil cada, para a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTA) e do Relatório Técnico de Vistoria Ambiental (RVTA).

Heineck comemora o número de integrantes da comitiva, uma vez que a reunião foi agendada na terça-feira da semana passada. “Em algumas horas, mais de 15 pessoas já tinham confirmado a presença nessa reunião, mostrando que a obra é uma das prioridades da região.”

Apoio estadual

Oliveira elogiou a iniciativa da região, de iniciar os projetos para viabilizar a obra. Para ele, estes estudos podem acelerar os trâmites burocráticos necessários para iniciar a duplicação. O tempo deve ser reduzido em até seis meses.

De acordo com Heineck, o levantamento dos dados deve iniciar em fevereiro. Devido a legislação, técnicos do Daer serão chamados para trabalhar nos projetos, com a conclusão prevista para o fim do primeiro semestre. Os dois documentos devem custar cerca de R$ 100 mil.

A empresa será escolhida por meio de carta-convite. Uma das possibilidades é contratar a STE, responsável pelo projeto de duplicação da BR-386 entre Estrela e Tabaí.

O secretário acredita que, se a obra estivesse no cronograma de prioridades do governo estadual, os trâmites seriam mais fáceis e admite as carências rodoviárias do governo estadual.

Alexandre Postal ressalta que este é apenas o primeiro passo. “Essa duplicação não vai sair de uma hora para outra, mas acredito que até o fim de 2014 ela será iniciada.”

Daer de Lajeado sugere medida paliativa

Um dos empecilhos para a duplicação é a alegada falta de dinheiro, e o superintendente do Daer de Lajeado, Hildo Mourão, apresentou uma proposta menos onerosa e trabalhosa para o Estado. A ideia deixou o secretário Oliveira e o diretor Karnokowski em silêncio, como se tivessem considerado a medida mais eficaz.

Para Mourão, a solução seria ampliar os acostamentos destas rodovias. A estrada conta com acostamentos de 2,2 metros de largura, sendo a pista de tráfego de cerca de 4,5 metros para cada sentido. Com mais alguns metros, a “duplicação” estaria pronta em menos de três anos, enquanto todo o processo de licitações, para um trabalho melhor, demoraria, no mínimo, cinco anos.

A ideia foi criticada por Postal. “Ela é uma medida paliativa que não vai durar mais do que alguns anos.” Citou como exemplo o processo semelhante feito no sentido a Guaporé, em que pouco tempo o tráfego intensificou, mas as condições rodoviárias pioraram.

Heineck fez coro à crítica. Mourão já havia apresentado essa proposta em uma das reuniões, recebendo diversas críticas. O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Reni Nunes Machado, ironizou. “Ele fez essa proposta como se fosse a solução.”

Um dos responsáveis por iniciar a proposta de duplicação, o prefeito de Arroio do Meio, Sidnei Eckert, é mais polido nas críticas. Para o arroio-meense, a ideia é interessante desde que seja temporária. Opinião semelhante da do reitor da Univates e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Ney José Lazzari.

Segundo Heineck, a obra vai além da simples ampliação da pista. Os estudos a serem contratados informarão quais os locais em que haverá pistas de acessos laterais e a real necessidade de construir um viaduto no acesso principal a Arroio do Meio.

Por daiane