Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 21 de Janeiro de 2021

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Vendaval destrói e provoca queda de energia

, 14 de dezembro de 2012 às 8h55

Arroio do Meio – O vento com velocidade próxima de 60 quilômetros por hora, registrado na madrugada da terça-feira, provocou danos em residências, instalações rurais e rede elétrica em diversos pontos do município. As localidades mais afetadas foram Forqueta, Forqueta Baixa, Bela Vista, Passo do Corvo, São Caetano, Dona Rita e Arroio Grande.

Na região mais de 36 mil clientes ficaram sem energia elétrica. Durante a tarde de quarta-feira, as equipes das duas principais companhias de distribuição de energia elétrica, AES Sul e Certel, ainda realizavam reparos. Em parte do distrito de Forqueta e no loteamento Dona Rita, o abastecimento só foi restabelecido por volta das 18h.

De acordo com o coordenador operacional da AES Sul, no Vale do Taquari. Ricardo Slaghenaufi Neto, na região 12,5 mil clientes ficaram sem energia elétrica. Até a noite de quarta-feira, 184 clientes em 26 pontos de Arroio do Meio estavam sem luz. Neto reconhece a legitimidade das reclamações. “Ficar mais de 24 horas sem luz, ainda mais no interior, sabemos que é horrível, mas nossas equipes trabalham de maneira intensa em praticamente toda a região.”

Ele ressalta que, diferente de outros anos – quando os temporais atingiam pontos isolados -, o desta semana afetou todo o Estado. Cerca de 650 mil clientes ficarem sem energia elétrica e, em alguns casos, houve até a falta de água, como em Lajeado.

Conforme Neto, os consertos são feitos de acordo com a gravidade da ocorrência. A preferência são por locais com o maior número de clientes afetados. No município, são quatro equipes atuando desde a tarde de terça-feira na tentativa de restabelecer a luz nos mais variados pontos.

A demora depende do tipo de problema encontrado pela equipe técnica. “Se for só uma queda na chave, pode demorar cerca de meia hora o concerto. Mas, quando há queda de poste, o prazo sobe para até quatro horas.”

O coordenador da Defesa Civil municipal, Lauri Gasparotto, contou cinco postes derrubados no interior. Quatro em Forqueta Baixa e um em Arroio Grande. Parte deles estavam com remendos, chamados pela AES Sul de “talas”. Neto salienta que houve diversas trocas destas estruturas ao longo do ano, mas não sabe precisar quantos. Após o temporal, a prioridade é substituir os de madeira que estão remendados. Por enquanto, a emergência da concessionária é restabelecer a energia elétrica em toda a região.

A previsão é de mais temporais para a próxima semana, segundo a MetSul Meteorologia, de São Leopoldo. Neto afirma que a AES Sul tem contrato com diversos institutos de meteorologia. A central, em Porto Alegre, repassa as informações para as equipes quando algo grave pode ocorrer.

Já a Certel, de acordo com a assessoria de imprensa, finalizou o restabelecimento da energia ao meio-dia de quarta-feira. Cerca de 25 mil consumidores foram afetados. O 0800 da empresa recebeu 2,7 mil ligações com solicitações de providência. Um total de 147 profissionais esteve mobilizado para normalizar a distribuição de energia, sendo que 90% dos consumidores tiveram o fornecimento restabelecido até a noite de terça-feira.

O maior número de ocorrências foi causado por árvores na rede de distribuição, cabos rompidos, postes quebrados e também pela intensidade de vento e descargas atmosféricas, que provocaram curtos-circuitos.

Prejuízos e transtornos em propriedades e residências

Em Arroio Grande a queda de um poste de madeira com transformador afetou a rotina de produção de diversas propriedades agrícolas. A energia só foi restabelecida às 14h de terça-feira, gerando transtornos nos ciclos de ordenha, o que segundo o agricultor Milton Dullius, diminui a produção em 15% – geralmente são realizadas duas ordenhas por dia, uma de manhã e outra no fim da tarde. A produção de frangos em sua propriedade não teve perdas significativas, pois as aves foram recebidas recentemente.

“Com um dia de vida, os pintos precisam permanecer em uma temperatura entre 32 e 34 graus”. Outros aviários da localidade estavam em intervalos de lote, por isso não ocorreram prejuízos. A residência de João Arni Maders, 50 anos, situada no Morro da Ventania, em São Caetano, foi parcialmente destelhada. Ao todo 12 folhas de Brasilit foram danificadas, além da antena parabólica.

O prejuízo está avaliado em mais de R$ 500. Segundo os moradores, o vendaval iniciou às 3h e durou cerca de 20 minutos. Fios de luz ficaram comprometidos em diversos pontos do bairro São Caetano. Nas imediações do Posto Fórmula, um caminhão arrebentou a rede que estava abaixo da altura normal. Com isso um poste ficou pendido e os fios ameaçavam pedestres e transeuntes.

Em Passo do Corvo, um galpão da propriedade de Astor Hollmann, 48 anos, foi completamente destruído pelo vendaval. A família ficou mais de 35 horas sem o abastecimento de energia elétrica. A avaria provocou danos na rede elétrica – fios de alta tensão no chão.

Por ironia do destino, o gerador de energia elétrica movido a diesel estava dentro do galpão destruído. Os destroços tiveram que ser removidos para sua retirada. A propriedade produz 70 mil frangos, e 4 mil suínos. Hollmann relata que o gerador foi adquirido há quatro anos justamente para evitar prejuízos gerados pelos transtornos de fornecimento de energia que segundo ele, são recorrentes. “O fornecimento de energia está longe do ideal para a produção agrícola. Uma empresa que é rigorosa na cobrança de taxas, tem que ter a capacidade de oferecer serviços satisfatórios”.

Hollmann está investindo na instalação de uma subestação própria em sua propriedade, afim de garantir a regularidade da voltagem. Os prejuízos relacionados à queda do galpão estão avaliados em R$ 2,5 mil. “Só conseguiremos avaliar as perdas na produção após a entrega dos lotes, quando a conversão de ração para cada quilo vivo de frango e suínos for calculada”.

Uma estufa na Especialidades Vandrea, situada na mesma localidade, também foi derrubada pelo vento. Em Forqueta, a queda de luz afetou o abastecimento de água. As bombas dos poços artesianos ficaram desligadas. Decorrência da queda de luz. O agricultor Márcio Heineck, 23 anos, precisou buscar água com o trator para sua propriedade. Mesmo assim, acredita que os suínos deixarão de engordar 800 gramas até a entrega dos lotes.

Já a residência de Nilce Baségio, situada na rua Pastor Victor Lehenbauer, na Bela Vista, teve o telhado danificado por destroços que voaram de uma casa vizinha. “Nunca houve incidência deste tipo de vento na nossa rua. Parecia um redemoinho”. Os prejuízos foram avaliados em R$ 7 mil. Ela possui seguro da casa.

Por daiane