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Jornal da Semana
Comportamento

Neuropsicopedagogia, Psicopedagogia e educação inclusiva

, 10 de agosto de 2012 às 11h36

De acordo com Elaine Andrade Gomes, pedagoga com especialização em Neuropsicopedagogia com ênfase na educação inclusiva, a Neuropsicodepagogia tem sua análise inserida no contexto em que se desenvolve o processo de aprendizagem, a leitura dos problemas que emergem da e na interação social voltada para o sujeito que aprende, buscando compreender os fatores que intervêm nos problemas, discriminando o particular e o geral, o específico e o universal, na busca de alternativas de ação para uma mudança significativa nas posturas frente ao ensinar e ao aprender, pautada em uma essência específica e diferenciada da Psicopedagogia.

A Psicopedagogia, portanto, é a área de estudo da Neuropsicologia que avalia, diagnostica, estuda e intervenciona frente à aprendizagem humana e suas intercorrências considerando a compreensão do sujeito enquanto aprendiz, dotado de complexidades, peculiaridades e inseguranças, sendo obrigado a tomar decisões avaliativas além ou aquém de sua realidade cognitiva.

A nova política nacional para a Educação Especial determina que todas as crianças e jovens com necessidades especiais devem estudar na escola regular. Por isso, a importância de valorizar a Formação Continuada, reuniões periódicas com troca de experiência entre os professores, e a necessidade de mudanças em toda sociedade reforçando a importância do respeito e da valorização das diferenças.

Nesta perspectiva, Elaine afirma que a formação de professores precisa remodelar-se para atingir os objetivos de um ensino especializado em todos os alunos: “A qualificação profissional deve ser feita através da adaptação de currículos dos cursos de licenciatura, que atualmente estão estruturados para atender apenas a parcela da população considerada ‘normal’ , excluindo os alunos que necessitam de uma atenção diferenciada.”

Segundo a educadora, os professores só poderão adotar este comportamento se forem convenientemente equipados com recursos pedagógicos, se a sua formação for melhorada, se lhes forem dados meios de avaliar seus alunos e elaborar objetivos específicos, se estiverem instrumentados para analisar a eficiência dos programas pedagógicos, preparados para a superação dos medos e superstições e contarem com uma orientação eficiente nesta mudança de postura para buscar novas aquisições e competências.

De acordo com a pedagoga, as universidades estão proporcionando cursos de aperfeiçoamento e pós–graduação nesta área, com destaque para a Neuropsicopedagogia, que vem formando profissionais para ajudar na inclusão e no ensino aprendizado das crianças com deficiências. Porém, Elaine alerta que estes profissionais não podem diagnosticar distúrbios, somente quem pode fazê-lo são os médicos, que são habilitados para tal.

Síndrome ou deficiência

Deficiência é um desenvolvimento insuficiente, em termos globais ou específicos, ou um déficit intelectual, físico, visual, auditivo ou múltiplo (quando atinge duas ou mais dessas áreas).

Síndrome é o nome que se dá a uma série de sinais e sintomas que juntos evidenciam uma condição particular. Na opinião de Elaine, o professor que leciona para alguém com diagnóstico que se encaixa nesse quadro precisa saber que é possível ensiná-lo: “O educador não precisa saber tudo sobre todas as síndromes e deficiências. Vai se atualizar e aprender conforme o caso. A inclusão na sala de aula está sendo aprendida no dia a dia, com experiências de cada professor. Não existe formação dissociada da prática, estamos aprendendo ao fazer”.

A deficiência existe e é preciso levá-la em consideração. Neste sentido, torna-se de grande importância não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades. As pessoas vivem suas vidas em um constante processo de aprendizagem, e o papel da escola é ensinar para a vida, o processo ensino-aprendizagem permite tanto ao educador quanto ao educando trocar experiências, ocasionando assim um constante aprendizado, considerando a escola o melhor ambiente para as pessoas projetarem seu futuro.

Não existe inclusão sem colaboração

Elaine entende a colaboração como trabalho em conjunto uma tarefa coletiva que não se constrói por lei ou por decreto, mas pela ação colaborativa do governo, de profissionais da saúde e da educação em conjunto com as próprias pessoas com necessidades especiais.

Dentro da escola, torna-se necessário o envolvimento de todos os membros da equipe escolar no planejamento de ações e programas voltados à temática. Docentes, diretores e funcionários apresentam papéis específicos, mas precisam agir coletivamente para que a inclusão escolar seja efetivada nas escolas. Com base nessas informações, pode-se perceber que são necessárias mudanças profundas no sistema educacional vigente a fim de garantir o cumprimento dos objetivos da inclusão.

De acordo com Elaine, na escola inclusiva o ideal é o professor não fingir que as diferenças não existem, mas trabalhar o respeito, a cooperação e a solidariedade na sala de aula. Quando o aluno é aceito e respeitado independente de suas limitações, ele passa a ter mais tranquilidade e segurança para pedir ajuda e cometer erros, onde ocorre o aprendizado.

Por daiane