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Comportamento

Você vive o presente?

“A vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro.” A clássica frase de John Lenon causa um certo impacto. Afinal, estamos ou não sabendo viver plenamente nossa vida?

, 21 de outubro de 2011 às 15h36

Vivemos tempos de muita pressa, cada vez mais as pessoas estão com a sensação de que o tempo está passando muito rápido. Por outro lado, não percebem que cada vez mais se faz mais coisas, se tem mais tarefas e mais responsabilidades. O tempo corre e a vida tem exigido uma rapidez maior. “Neste sentido, podemos analisar que uma das grandes perdas que se tem com a rapidez do dia a dia é que se vive pouco o presente. É comum ficarmos pensativos ou preocupados com fatos que irão acontecer futuramente, como as próximas contas, as férias, o final do ano, etc., no entanto, esquece-se de que o presente é agora, só podemos ter controle do que está acontecendo neste exato momento. Facilmente esquece-se de viver o aqui e o agora”, adverte a psicóloga Cláudia Sbaraini.

Segundo ela, existem pessoas que erroneamente acham que podem controlar tudo o que acontece em suas vidas como se isso fosse sinônimo de segurança e garantia de que seus planejamentos fossem sempre dar certo. “Na psicologia, vemos muitas pessoas com esse perfil mais controlador e que se angustiam muito e não toleram muito bem a frustração, principalmente quando seus planos não dão certo. Viver assim na tentativa de controlar o futuro pode ser extremamente prejudicial, pois perde-se muito em qualidade de vida e perde-se o que é real da vida, o presente. Neste sentido viver o presente é o que de mais real temos, pois assim como ficar presa a um passado que não volta mais, ou ficar presa em um futuro que não sabemos como será, estamos perdendo algo muito valioso, que é nossa vida presente e a emoção deste momento.”

Saber viver

Cláudia vê como salutar planejar o futuro e ter objetivos e metas na vida, mas faz um alerta para aqueles que vão além disso, que não conseguem lidar bem com a frustração de um plano que não deu certo, pois estas pessoas que passam esse “ponto de equilíbrio” sofrem muito. Tornam-se de difícil convívio em alguns momentos, dificultando a própria convivência com os próprios familiares ou amigos.

Conforme Cláudia, pessoas que vão na contramão disto, que abrem mão de uma vida agitada e corrida, de cargos de chefia e salários altos para uma vida mais tranquila, mais calma, são muitas vezes julgadas como incoerentes, no entanto, “tais pessoas relatam que preferem viver uma vida com mais tranquilidade e com mais calma, pois somente desta maneira conseguem viver seu presente, já que percebem que para ser feliz não é necessário muita coisa – simplesmente ter a possibilidade de viver sua vida no momento presente, sem tantos planos e expectativas pode ser muito mais prazeroso.” Ela conclui que nessas situações, menos é mais: menos planos, menos exigências, menos ambições pode ser muito mais na qualidade de vida de cada um.Portanto, para viver uma vida tranquila e com mais qualidade, o importante é valorizar o momento atual, as pequenas conquistas, o convívio com pessoas que nos fazem bem, sem exagerar nos planos e nas exigências que impomos à vida, sugere.

Por Jaqueline Manica