Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 11 de Julho de 2020

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Para driblar a crise, Aimoré Couros remodela unidade de Encantado

A queda na exportação e o alto preço do dólar fazem com que o setor coureiro-calçadista enfrente uma nova crise. O impacto não se reduz às fábricas. Atinge também as empresas responsáveis pela produção da matéria-prima, que começam a ter problemas em exportar o produto

, 1 de julho de 2011 às 13h46

O reflexo dessa nova crise pode ser sentido na unidade do Aimoré Couros, de Encantado. Responsável pela produção do couro de vacum (gado), a filial está passando por remodelações. Conforme o diretor da unidade de Encantado, Jorge Adriano Kuhn, a empresa “está se adequando a crise, fazendo o que é necessário para sobreviver”.

Entre as mudanças está a desativação de setores da empresa e demissão de funcionários. A unidade, que contou com mais de 200 funcionários, hoje tem apenas 80. “Não há previsão de demissão em massa. Estamos deixando os funcionários a par da situação. Pessoas estão saindo e não estamos mais contratando. No início da semana, por exemplo, foram demitidas oito pessoas. O que está se fazendo é enxugando setores e os concentrando em Arroio do Meio”, explica Kuhn. Parte do maquinário já está em Arroio do Meio, onde passou a ser feito o acabamento do couro vacum.

Kuhn, que atua no curtume há 20 anos, ressalta que esta não é a primeira vez que o setor passa por problemas. Em 2008 e 2009, o ramo já havia passado por uma crise. “Naquela época o mercado deu uma sacudida e apanhou bastante. Ele melhorou em função dos embargos impostos pelo governo federal às importações do calçado chinês, motivo pelo qual a crise foi ocasionada”.

Além do dólar, os outros fatores atribuídos à crise do setor são a entrada do calçado chinês, a opção do couro sintético, que entrou com força e o preço mais atrativo e o aumento no custo da matéria-prima. “Há um tempo o preço da pele e do couro de gado podia ser encontrado a R$ 25 o quilo e hoje está em R$ 65. O preço histórico do quilo do couro salgado também aumentou. De R$ 0,80 hoje é encontrado a R$ 2,10. O alto preço da matéria-prima tornou o mercado inviável”.

O diretor frisa que 85% da produção em Encantado era voltada para a exportação. O preço do dólar prejudicou as remessas ao mercado externo fazendo com que essa produção caísse para 65%. A saída foi entrar no disputado mercado interno. Kuhn destaca que adequações para sobreviver à crise estão sendo feitas.

A diretoria da empresa está tentando fazer essa transição da melhor forma possível. Ele lembra ainda que não há decisão definitiva sobre o futuro da unidade, já que esta não depende somente dos diretores, mas sim do Conselho Administrativo do curtume, que se reúne mensalmente. “A decisão final será deles”, finaliza.

A matriz, em Arroio do Meio, com mais de 220 funcionários, continua a produção normal de couro de porco. O foco é o mercado interno, onde a oscilação do dólar causa menos impacto. Contudo, a concorrência do calçado chinês também tem afetado a produção nacional, o que repercute diretamente nos curtumes.

Histórico

A unidade de Encantado iniciou suas atividades em setembro de 1956. No início produzia sola para sapato e, com o passar do tempo, partiu para a industrialização de couro para chuteiras. Em 1991, a nova ampliação da unidade de Encantado foi concluída. No ano seguinte, iniciou com a produção de couro bovino acabado, até então realizado na unidade de Arroio do Meio. Desde então, todo o processo de couro vacum era realizado em Encantado.

Por Jaqueline Manica