Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 14 de Julho de 2020

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Consultas e recuperação de crédito aumentam

Condições facilitadas de pagamento e o uso frenético dos cartões de crédito são alguns atrativos que fazem com que as pessoas extrapolem nas compras. Gastando mais do que a renda mensal permite, o pagamento das dívidas passa a se tornar um pesadelo, motivo que leva muitas pessoas a ficarem com o ‘nome sujo’ e sendo incluídas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)

, 22 de julho de 2011 às 16h53

Conforme dados do SPC de Arroio do Meio, o volume de consultas ao sistema de janeiro a junho de 2011 cresceu 12,87% em relação ao mesmo período do ano passado. Atualmente constam no banco de dados 2.433 registros ativos. Com base neste volume, aproximadamente 17,37% da população economicamente ativa está inadimplente no município. Um crescimento de 0,69%, em relação ao mesmo período de 2010.

Quanto às inclusões e exclusões, de janeiro a junho de 2010, houve uma recuperação de 88,05% nas inclusões de registro no SPC. Já em 2011, no mesmo período, houve uma recuperação de 92,24% nas inclusões de registro.

Em 2010 o banco de dados do SPC de Arroio do Meio continha 2.336 registros ativos, totalizando como inadimplente 16,68% da população arroio-meense, considerando que a população economicamente ativa é de aproximadamente 14 mil habitantes. Além do registro de pessoas físicas, os bancos também possuem em seus arquivos registros de inadimplência. Em uma das agências bancárias, o número total ultrapassa os 1.500.

Inadimplência no país

A revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios divulgou no mês de junho uma pesquisa realizada pela empresa especializada em análise de crédito Serasa Experian. Os resultados revelam que a inadimplência de consumidores e de empresas no país deve continuar a subir nos próximos meses.

A sondagem da empresa procura antever o cenário econômico brasileiro dos próximos seis meses e, para isso, considera variantes como os níveis da atividade econômica e as concessões de crédito. O resultado dessa compilação é ‘traduzido’ para uma escala em que valores abaixo de 100 indicam inadimplência dentro do padrão histórico, isto é, dentro do que é considerado normal pelos economistas. Já os dados acima de 100 indicam que a inadimplência está acima da normalidade. O levantamento aponta que a perspectiva de inadimplência dos consumidores cresceu 1,7% em abril ante março e chegou ao nível de 98,7. No mesmo período analisado, a perspectiva de inadimplência das empresas subiu 2,1%, para o nível de 97,4.

O não pagamento das dívidas por parte dos consumidores teve o sétimo avanço mensal consecutivo e está mais próximo do nível 100, reforçando a tendência de elevação. Os economistas da Serasa estimam que, apesar da perspectiva de alta da inadimplência, este movimento deverá ficar abaixo do nível 100 devido à rodada de renegociações salariais de importantes categorias no segundo semestre e do patamar baixo do desemprego. Já no caso das empresas, a perspectiva de não pagamento das dívidas ocorre em razão dos juros cada vez mais elevados e do aperto monetário em vigor.

Por que as pessoas entram no SPC

Conforme o presidente e a secretária executiva da CDL, João Fuhr e Raquel Scheid, após o vencimento das prestações, cada empresa possui seu próprio critério para registro no SPC. Depois desse prazo, uma carta é emitida ao consumidor, lembrando que ele tem o prazo de 12 dias para regularizar a situação. “A carta só não chega às mãos do consumidor nos seguintes casos: se o mesmo mudou de endereço e, caso isso tenha ocorrido, é obrigação do consumidor informar o estabelecimento comercial da alteração de endereço; se o mesmo estiver ausente; e em caso da correspondência não ser retirada junto à agência do correio quando não houver entrega de correspondência na localidade que o consumidor reside”, afirmam.

João e Raquel afirmam também que, no caso do consumidor não quitar seu débito, o registro permanece por cinco anos no banco de dados do SPC. Após esse prazo, a dívida permanece ativa mais 15 anos, sendo facultada a cobrança por outros meios.

Para sair do SPC, o consumidor deve quitar o débito pendente no estabelecimento ou até mesmo ir à loja e fazer uma renegociação. Segundo João, existe esta alternativa também, pois muitos estabelecimentos arroio-meenses oferecem essa possibilidade. Tudo é uma questão da boa vontade do consumidor.

Como evitar o SPC

O economista e consultor Lucas Gonzatti Marques dá algumas dicas para que se evite ficar com o nome “sujo” na praça. Confira:

  • nunca comprometa mais do que 30%, 35% do orçamento familiar em empréstimos, pois acima disso no médio e longo prazo a situação começa a ficar insustentável;
  • sempre que possível fazer um depósito em poupança para eventualidades e para aquisição de bens duráveis a médio e longo prazo;
  • ter controle sobre o impulso de consumir, pois faz os orçamentos familiares ruírem;
  • comprar roupas e eletrodomésticos ou à vista ou com uma boa entrada, para que não haja incidência de juros elevados, e aproveitar as promoções que reduzem muito o preço original dos produtos.

“Uma dica interessante também é manter uma planilha ou agenda de cálculo com os demonstrativos de pagamento dos gastos: somar eles e ver no que está se gastando a renda mensal, se o trabalhador está ganhando mais que gastando ou gastando mais que ganhando. Dessa forma se consegue ter um controle financeiro e não fica com o ‘nome sujo’ na praça, ficando restrito a novas aberturas de crédito, dentre outras sanções”, finaliza.

Por Jaqueline Manica