Jornal O Alto Taquari  .  Arroio do Meio, 12 de Agosto de 2020

O Alto Taquari

Jornal da Semana
Saúde

Abuso do álcool pauta Conferência Municipal da Saúde

Com objetivo de avaliar os serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município, a Secretaria Municipal de Saúde organizou no dia 12 a Conferência Municipal da Saúde, que reuniu os profissionais da equipe, diretores de escolas e comunidade em geral

, 18 de julho de 2011 às 9h18

Na abertura do evento, cujo tema foi Todos usam o SUS! Na Seguridade Social, Política Pública, Patrimônio do Povo Brasileiro, o secretário de Saúde Gilnei Cadore destacou que a criação do SUS trouxe vários avanços para a saúde pública do país, direcionando verbas exclusivamente para a área: “Dinheiro que antes era para outras construções hoje é direcionado exclusivamente para hospitais, postos de saúde, programas de combate a doenças, campanhas de vacinação e vários outros programas que foram sendo criados à medida que o SUS foi se encaminhando.”

Mas, apesar desses avanços, informa que “o maior desafio enfrentado hoje pelos gestores de saúde é a emenda 29 aprovada na Constituição de 1988 e que não está sendo cumprida pelo governo estadual e federal, sendo que o valor que deveria ser gasto pelo governo estadual de 12% nem é de 5%. E o do governo federal seria de 10% e não chega a 5%.Enquanto o município por lei deve gastar 15% e gasta cerca de 20%.”

Na sequência, a criação do SUS, iniciada no final da década de 1980, pôde ser conferida através do vídeo A saúde no Brasil: antes de depois do SUS. A exibição mostrou que a implantação do SUS e suas consequentes políticas foi uma conquista popular a partir da união e luta de várias organizações da sociedade civil brasileira.

Por que falar sobre alcoolismo

Conforme a psicóloga de Capitão Mariana Mazzarino, a definição do tema alcoolismo para o evento partiu da própria realidade local, onde as secretarias de Saúde e Educação percebem uma demanda significativa do problema: “Também no trabalho que realizamos nas escolas percebemos que há muitos históricos de alcoolismo entre as famílias da comunidade. E isso, em parte, é resultado da própria cultura local, onde as bebidas alcoólicas estão disponíveis em todos os eventos.”

Alcoolismo: um dos principais problemas de saúde pública

“O álcool é uma droga. Uma droga lícita! Permitida, livremente obtida e socialmente aceita.” Com essa afirmação a psicóloga Letícia Fernanda Henz, que atua no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) I de Encantado (com atendimento a crianças, adolescentes, dependentes químicos e alcoólatras) e na Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul, iniciou sua palestra. “O alcoolismo é um dos principais problemas de saúde pública. Como é uma droga lícita, esta acaba sendo de fácil acesso, tanto para adultos, como também, para crianças, já que em muitos locais as leis existentes não são respeitadas. Segundo dados estatísticos, o álcool é a droga mais consumida no Brasil e acaba trazendo dados alarmantes de doenças, acidentes, suicídios, violência, etc. Portanto, o alcoolismo é um tema que muito precisa ser trabalhado, principalmente para desmistificar certos conceitos e preconceitos, já que também se trata de uma doença crônica”, defendeu Letícia.

Na opinião da profissional, a família e a sociedade têm uma relação direta no consumo do álcool, pois através delas são transmitidos elementos fundamentais para a constituição de um indivíduo. Portanto, as causas presentes nos ambientes externos são muitas, dentre elas, podemos citar o estilo de vida das famílias, o enraizamento das tradições de diferentes culturas, normas, valores e símbolos sociais implicados no uso do álcool.

Para a palestrante, o alcoolismo é uma doença crônica e, a partir do momento em que é admitido como tal (apesar de sociedade ainda tratá-lo com muito preconceito), é preciso dar início a um processo de reestruturação da vida do indivíduo. E sempre com o fundamental apoio e suporte da família. Também é aconselhável procurar um novo círculo de amizades, que ajude a focar a atenção do alcoólatra em outros pontos (emprego, família, filhos, lazer, etc.).

Segundo Letícia, a negação do álcool como um vício é muito forte pela maior parte dos usuários, que apenas conseguem ver os “benefícios” da bebida, sem conseguir se dar conta que o não beber é muito mais saudável em todos os sentidos. E aqui, uma crítica muito forte à mídia e à industria de bebidas alcoólicas, que investem massivamente em propagandas que associam o álcool a algo bom, que traz alegria, prazer, felicidade.

Outro ponto crucial – o alcoolismo não pode ser associado a uma única causa. Fatores sociais (famílias desestruturadas, ambientes permissivos, etc.), fatores psicólogos (doenças psiquiátricas associadas (comorbidades, como esquizofrenia e transtorno bipolar, por exemplo), e também fatores biológicos (como a predisposição genética e a resistência aos efeitos da substância ) exercem forte influência.

Para concluir, ela chamou a atenção para a importância de momentos como proporcionado à comunidade de Capitão: “Um trabalho como o de hoje é de promoção e prevenção da saúde e por isso é importante que a população participe sempre mais.”

Conforme o II Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil (ano base 2005)

  • Álcool: presente em 74,6% das famílias, com 12,3% de dependentes
  • Tabaco: presente em 44% das famílias, com 10,1% de dependentes
  • Maconha: presente em 8,8% das famílias, com 1,2 de dependentes

Eu venci o álcool

Vítima do álcool por quase 20 anos, Agemiro Cadore, 59 anos, deu um bonito exemplo de que é possível, sim, vencer o alcoolismo. Há sete anos sem beber, presente no evento, ele deu a receita da sua vitória: “admitir que se precisa de ajuda, ter muita força de vontade e o apoio da família. Minha esposa e minhas filhas foram fundamentais para minha cura. E hoje eu me sinto muito feliz, continuo participando das reuniões e acho que esse assunto deveria ser mais discutido para que as pessoas saibam que é possível se curar.”

A Secretaria Municipal de Saúde de Capitão

Atualmente, a secretaria é composta por profissionais, entre médico clínico geral, uma médica do ESF, ginecologista, dentista, farmacêutica, duas enfermeiras, uma auxiliar, nutricionista, psicóloga e agentes de saúde. A secretaria reúne mensalmente diferentes grupos que têm por objetivo a saúde preventiva e a qualidade de vida: grupo de gestantes, grupo de educação em saúde, e grupo de reeducação alimentar. Também é responsável por promover para diferentes grupos da população. Uma das ações agendadas para breve é a campanha de doação de sangue, organizada pelo Hemovale de Lajeado. Será no sábado, dia 23, das 8h às 12h, no Posto de Saúde. Doadores interessados podem contatar pelo fone 3758 1272.

Por Jaqueline Manica